O Governo regional da Catalunha endureceu as medidas de confinamento em Segrià, na região de Lérida. Os habitantes da cidade de Lérida e de outros sete municípios ((Alcarràs, Aitona, La Granja d’Escarp, Massalcoreig, Seròs, Soses y Torres de Segre, e as unidades descentralizadas de Suchs y Raimat) - numa população estimada em 160 mil habitantes - receberam indicações de regresso ao confinamento obrigatório. Está proibida a saída e entrada nas localidades envolvidas depois da meia-noite, com exceção para as situações de deslocação por razões laborais autorizadas.

"A população deverá permanecer nas suas residências", anunciou a secretária regional de Saúde, Alba Verges, numa conferência de imprensa. Nas últimas 24 horas, a zona alvo das medidas registou 190 novos casos de infeção por Covid-19.

O autarca de Lérida, Miquel Pueyo, sublinhou que estas medidas evitam um "confinamento total" que teria "um impacto económico muito forte" na região.  "Estamos numa situação grave", afirmou Miquel Pueyo em declarações citadas pelo jornal El Pais, tendo pedido que sejam garantidos durante 15 dias os ordenados dos trabalhadores que não possam deslocar-se.

Com Espanha já fora do estado de emergência, estas medidas têm ainda de ser aprovadas pelas autoridades jurídicas, uma vez que restringem o movimento das pessoas.

A ministra da Saúde da Catalunha explicou que as pessoas devem ficar em casa e sair só para trabalhar, desde que não possam estar em teletrabalho, e para fazerem as compras básicas.

As lojas de alimentos permanecerão abertas, enquanto a ida a outro tipo de estabelecimentos comerciais implicará marcação prévia.

Os centros de atividades de verão para crianças e jovens vão permanecer abertos, mas o setor da restauração só poderá trabalhar para entregas ao domicílio.

Os centros desportivos e culturais encerram e só poderão ser praticados desportos de grupo com pessoas com quem se coabita.

A conselheira indicou que, embora a taxa de contágio pelo novo coronavírus tenha baixado em Lleida, na Segrià houve um aumento de 190 novos casos desde sábado e de 691 na última semana.

A percentagem de pessoas testadas para a covid-19 e com resultados positivos é muito mais elevada em Segrià (35%) quando comparada com o resto da província da Catalunha, com 5% a 10%.

Uso obrigatório de máscara em várias províncias espanholas

As províncias espanholas de Andaluzia, Aragão e La Rioja aprovarão na próxima semana o uso obrigatório de máscaras mesmo em situações em que a distância social possa ser mantida, medida que já foi aprovada pela Catalunha, Ilhas Baleares e Extremadura, e que está a ser estudada também pelas Astúrias, Cantábria e Múrcia.

O presidente do governo andaluz, Juanma Moreno, anunciou no sábado que na segunda-feira irá transferir para o comité técnico de acompanhamento da pandemia o seguimento do uso obrigatório de máscaras, como consequência dos surtos em Espanha.

Hoje, o executivo aragonês adiantou que nesta segunda-feira aprovará o uso obrigatório, cujos pormenores serão explicados numa conferência de imprensa, dada pela conselheira da Saúde, Sira Repollés, e pelo diretor-geral da Saúde Pública, Francis Falo.

Por seu lado, o Governo de La Rioja indicou que aprovará na sua próxima reunião, marcada para o início da semana, o uso obrigatório de máscaras para prevenir infeções, informou o executivo regional em comunicado.

Esta obrigação entrará em vigor imediatamente após a sua publicação no Diário da República de La Rioja.

A Catalunha, as Ilhas Baleares e a Extremadura já aplicaram o uso obrigatório de máscaras em todos os espaços públicos, mesmo que a distância de segurança seja respeitada, para evitar a propagação do coronavírus.

Nas Ilhas Baleares, o uso obrigatório de máscaras em espaços públicos abertos e a limitação das reuniões entrarão em vigor na próxima segunda-feira, e aqueles que não usarem proteção facial poderão ser multados até 600.000 euros.

A Espanha é um dos países mais afetados do mundo pela doença, com 28.400 mortos, e neste domingo as regiões da Galiza e do País Basco realizaram eleições, com medidas reforçadas de higiene.

Estados Unidos com novo número recorde de contágios em apenas um dia

Com a flexibilização do confinamento, a Europa, continente com mais mortes (quase 202.000 em um total de 2,8 milhões de casos), observa novos focos de contágio.

Os Estados Unidos voltaram a contabilizar um número recorde de contágios em apenas um dia, mais 66.000.  O balanço total do país inclui 3,2 milhões de casos e quase 135.000 mortes. Hoje, o presidente Donald Trump apareceu pela primeira vez de máscara em público.

Trump, relutante sobre a proteção, usou a máscara durante a visita a um hospital na região de Washington para saudar veteranos militares.

Informações divulgadas pela imprensa durante a semana afirmam que os assessores praticamente imploraram ao presidente que cedesse e utilizasse uma máscara em público, no momento em que os casos de coronavírus disparam em algumas regiões do país.

Flórida com mais de 15 mil novas infecções nas últimas 24 horas

A Flórida é um dos estados mais afetados, com mais de 15 mil novos casos confirmados de Covid-19 nas últimas 24 horas. Os números não impediram a Disney World de reabrir parcialmente no sábado dois de seus quatro parques temáticos em Orlando.

O coronavírus também avança implacável na América Latina e Caribe, com um balanço de mais de 143.000 mortos e mais de 3,3 milhões de casos.

O Brasil, o segundo país mais afetado do mundo pela doença, tem quase 71.500 vítimas fatais e mais de 1,8 milhão de contágios, incluindo o presidente Jair Bolsonaro.

Cético a respeito da pandemia e contrário às quarentenas aplicadas nos estados, Bolsonaro continua a fazr campanha a favor da hidroxicloroquina, remédio sem eficácia científica comprovada.

O Chile superou no sábado a marca de 11.000 mortes por coronavírus quando somados os casos prováveis, de acordo com o ministério Saúde. Apesar do número, as autoridades afirmam que o país vive atualmente uma "leve melhoria".

Colômbia e Equador também superaram no sábado a barreira de 5.000 vítimas fatais, de acordo com os dados oficiais dos países.

Capital da Colômbia com "quarentenas restritas"

Bogotá, maior ponto de contágios da Colômbia, anunciou a aplicação a partir de segunda-feira de "quarentenas restritas" por localidades (conjuntos de bairros).

As autoridades da Venezuela, onde o número dois do regime, Diosdado Cabello, contraiu o vírus, anunciaram que 160 militares testaram positivo para a COVID-19.

No Irão, que regista mais de 12.000 mortes, as autoridades alertam também para o novo avanço do vírus.

O guia supremo, o aiatolá Ali Khamenei, chamou neste domingo de "verdadeira tragédia" a epidemia de COVID-19 e pediu aos iranianos que respeitem as normas de saúde para conter o avanço da doença e "salvar o país".

A Autoridade Palestina anunciou a aplicação de um toque de recolher diário noturno e completo aos finais de semana durante 14 dias para lutar contra a doença.

"A circulação será proibida todos os dias das 20h00 às 6h00 em todas as províncias, assim como de quinta-feira de manhã a domingo, afirmou o porta-voz do governo palestino, Ibrahim Melhem.

O agravamento da pandemia nos Bálcãs, apesar dos números aparentemente modestos, preocupa cada vez mais esta região pobre da Europa com infraestruturas médicas frágeis.

A Organização Mundial da Saúde (OMS), que pede uma "ação agressiva" para lutar contra a propagação, enviou uma equipa à China para preparar uma missão que deve tentar determinar a origem do vírus.

* Com Agência Lusa

Notícia editada às 19h28 com correção do número de pessoas envolvidas inicialmente avançado pela AFP

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