“Com as novas tecnologias, que tornam mais baratos e mais rápidos de construir os terminais flutuantes de Gás Natural Liquefeito, os preços do transporte estão a descer e Portugal pode tornar-se uma porta de entrada para a Europa e para África, à medida que as exportações [de GNL norte-americano] aumentam exponencialmente nos próximos anos”, declarou hoje a encarregada de negócios norte-americana em Portugal, Herro Mustafa.

A responsável da embaixada dos Estados Unidos em Portugal falava num almoço-debate da Câmara Americana de Comércio em Portugal sobre as opções e prioridades dos 100 primeiros dias da nova administração do Presidente Donald Trump. A colaboração com Portugal na área da energia, disse Mustafa, é uma delas.

“Temos em curso nos Estados Unidos uma revolução energética. Nos próximos anos seremos um dos maiores exportadores de gás do Mundo e estamos a explorar e a desenvolver novas oportunidades de cooperação [nesta área] em Portugal e na Europa”, explicou a diplomata.

Herro Mustafa recordou que em abril do ano passado chegou a Portugal o primeiro carregamento de Gás Natural Liquefeito norte-americano, precisamente a Sines, um porto de águas profundas capaz de receber os maiores navios metaneiros que existem.

“Esse carregamento, apesar de não ter sido muito publicitado, marcou um potencial ponto de viragem para a segurança energética da Europa e para as opções energéticas regionais”, considerou a encarregada de negócios, recordando também que, no mês passado, “uma grande delegação bipartidária do Congresso veio a Portugal só para ver a questão da segurança energética”.

Herro Mustafa realçou que a nova administração “acredita que há muito potencial nessa área” e que, mesmo com o esforço global rumo às energias renováveis, “o Gás Natural continuará a ter um papel crucial no futuro”.

“Precisamos de ambos e queremos trabalhar com Portugal nesta área. Isto é importante para a nova administração [de Donald Trump]”, declarou.

Já em declarações aos jornalistas à margem do almoço, Herro Mustafa, reconheceu que existe um problema de falta de interligações energéticas entre Portugal e Espanha e, especialmente, com o resto da Europa, pelos Pirinéus.

“Tem de haver um foco nas interconexões [com França]. Não podemos ignorar [essa questão]”, sublinhou a responsável, que preferiu enaltecer o facto de “geograficamente” Portugal ser “o país natural” para receber as exportações norte-americanas.

Herro Mustafa escusou-se a dizer se a diplomacia americana poderia vir a pressionar a França para reforçar o investimento em interligações de gás através dos Pirinéus [algo que o presidente da Comissão Europeia já anunciou que iria fazer], mas salientou que os Estados Unidos acolheriam de bom grado esse reforço.

Herro Mustafa é ministra Conselheira da Embaixada Americana em Lisboa desde julho de 2016, tendo assumido o cargo de Encarregada de Negócios em janeiro deste ano.

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