"Estávamos com muito medo, sentíamos o tempo todo que a morte estava próxima", disse Deepak Kumar, um dos trabalhadores resgatados, à AFP, esta quarta-feira, 29 de novembro. "Não tínhamos certeza se sobreviveríamos ou não", acrescentou.

Os 41 trabalhadores foram recebidos como heróis na terça-feira, após saírem do túnel através de um tubo de aço de 57 metros de comprimento, sobre macas com rodas, colocando um ponto final numa complexa operação de engenharia.

Ao verem novamente a luz do dia, foram recebidos com grinaldas de flores e representantes do governo, entre os aplausos da multidão. "O mundo voltou a ser bonito para nós", disse Sabah Ahmad, um dos sobreviventes, à AFP.

"Foi um momento difícil para nós que estávamos lá dentro — e ainda mais difícil para as famílias que estavam aqui fora", disse Ahmad, natural de Bihar, um dos estados mais pobres da Índia. "Mas finalmente saímos e é a única coisa que importa", acrescentou.

A sua esposa, Musarrat Jahan, que falou com a AFP por telefone, em Bihar, disse que "não há palavras" para explicar o quão feliz está. "Não só meu marido está vivo de novo, mas nós também", disse. "Nunca esqueceremos", garantiu.

Os trabalhadores foram levados de helicóptero para realizar exames num hospital e cada um recebeu um cheque das autoridades no valor de 1.200 dólares, o que representa meio ano de salário.

"A nossa fé estava no fundo do poço"

Os trabalhadores ficaram presos no dia 12 de novembro, depois de parte do túnel que estavam a construir desabar, no estado de Uttarakhand, no Himalaia.

Houve várias tentativas para os alcançar, mas todas fracassaram devido à queda de destroços e à quebra de várias máquinas de perfuração.

"Não foi fácil", admitiu Kumar. "Depois de três ou quatro dias dentro do túnel (...) a nossa confiança e a nossa fé estavam no fundo do poço".

Os homens sobreviveram estes 17 dias graças a um pequeno tubo através do qual o oxigénio era bombeado e por onde recebiam comida e água. Também foi instalada uma linha telefónica que lhes permitiu falar com as suas famílias.

"Eu disse à minha família: 'Estou bem e saudável, não se preocupem, tudo ficará bem, sairemos em breve'", disse Kumar."Mas ao dizer essas palavras tive a forte sensação de que nunca mais veria os meus pais", admitiu.

Guriya Devi, esposa de Sushil Kumar, outro trabalhador resgatado, disse à AFP que a sua família "passou por momentos horríveis. Às vezes perdemos a esperança", assumiu.

"Rezamos em silêncio por ajuda"

Chamra Oraon, 32 anos, descreveu o horror que sentiu no dia 12 de novembro, quando ouviu um baque e os destroços começaram a cair, bloqueando a única saída do túnel em construção.

"Corri para salvar a minha vida, mas fiquei preso no lado errado", disse ao jornal Indian Express.  "Quando entendemos que ficaríamos ali por muito tempo, ficámos preocupados, com fome. Mas rezámos em silêncio por ajuda".

Subodh Kumar Verma contou à AFP que as primeiras 24 horas no túnel foram as piores, por temiam morrer de fome ou com de falta de oxigénio.

Mas a esperança voltou depois de as equipas de resgate conseguirem conectar um tubo fino por onde o oxigénio entrava e por onde lhes entregavam comida.

"Quando demos a primeira dentada foi como se alguém lá em cima nos tivesse estendido a mão", disse Oraon ao Express.

Também foi difícil matenrem-se ocupados enquanto esperavam para serem resgatados. Jogavam nos telemóveis, que podiam carregar desde que a eletricidade estivesse ligada, e conversavam. "Conseguimos conhecer-nos bem", disse Oraon.

Embora estivessem presos, os trabalhadores tinham um espaço considerável no túnel, uma vez que a área interior tinha 8,5 metros de altura e cerca de dois quilómetros de comprimento.

O túnel Silkyara faz parte do projeto Char Dham Expressway do primeiro-ministro Narendra Modi, criado para melhorar as ligações com quatro dos locais de culto hindu mais importantes do país, assim como as regiões que fazem fronteira com a China.

*Por Pitcha DANGPRASITH e Mohd Imran KHAN/AFP

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