Em entrevista à agência Lusa, Ana Cristina Santos, coordenadora da investigação, adiantou que o estudo, publicado em dezembro na revista International Journal of Obesity, contraria a ideia de que “as prevalências de obesidade em Portugal pareciam estar a estabilizar”, tal como acontece em alguns países do norte da Europa.

“Quando comparamos a obesidade a outras doenças, percebemos que as estimativas são incomparáveis. Assumir que estamos perante uma situação de estabilidade ou controlo parece-nos prematuro, por isso, é de facto importante continuar a falar, a realçar e a intervir”, apontou.

O estudo, que envolveu mais de cinco mil crianças da coorte Geração XXI (projeto iniciado em 2005, que acompanha o crescimento e o desenvolvimento de mais de oito mil crianças da cidade do Porto), baseou-se nas avaliações realizadas às crianças aos 4, 7 e 10 anos.

Segundo Ana Cristina Santos, a investigação permitiu concluir que aos 4 anos, 22% das crianças têm excesso de peso, valor que atinge os 26% aos 10 anos.

Por sua vez, o estudo avança que aos 4 anos, 10% das crianças já são obesas, que dos 4 anos para os 7, a obesidade atinge 15% dos participantes e que aos 10 anos, 17% são consideradas obesas.

“No excesso de peso vemos uma maior estabilização, as estimativas não flutuam tanto, mas na obesidade vemos um aumento ao longo da infância. Parece-nos que a idade pré-escolar é um ponto que é necessário intervir”, referiu a investigadora.

À Lusa, a investigadora adiantou que aos 4 anos, as raparigas têm uma maior prevalência de obesidade do que os rapazes, questão que acredita estar relacionada com a fisiologia e com o índice de massa corporal (IMC), uma vez que tendencialmente “as mulheres são mais obesas e os homens tem mais excesso de peso”.

“Noutro estudo que estamos a finalizar, o que mostramos é que a diferença entre homens e mulheres na distribuição (de gordura) parece ser mais um efeito da idade do que da gordura”, frisou.

Para Ana Cristina Santos, “mais do que dizer se a obesidade está a estabilizar”, é importante continuar a “realçar que o investimento na prevenção da obesidade infantil deve ser uma área prioritária”.

“Estas situações são muito difíceis de serem revertidas depois de instaladas. Sabemos que estas crianças estão em risco de se tornarem adolescentes obesos e, posteriormente, adultos obesos”, concluiu.

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