Os Estados Unidos saem depois de nenhum outro país ter tido a coragem "de se juntar à luta" para reformar o órgão "hipócrita e egoísta", disse a embaixadora norte-americana Nikki Haley.

Há um ano, Haley disse que os EUA só se iriam manter se a organização fizesse “reformas essenciais” e agora considerou que está claro que esses apelos para mudanças não foram ouvidos.

"Ao fazê-lo, quero deixar claro que este passo não é um recuo dos nossos compromissos com os direitos humanos", acrescentou Nikki Haley, citada pela Reuters.

A decisão foi tornada pública num comunicado conjunto à imprensa de Nikki Haley e do secretário de Estado Mike Pompeo.

Haley criticou a pertença ao órgão de países como China, Cuba e Venezuela, que são eles próprios acusados de violação dos Direitos Humanos. Disse ainda que o Conselho tem um “preconceito crónico contra Israel”.

"Olhem para os membros do conselho e vão ver um desrespeito aterrador pelos direitos mais básicos", disse Haley, acrescentando que o “foco desproporcional e hostilidade interminável contra Israel é uma prova clara de que o conselho é motivado por preconceitos políticos, não por direitos humanos”, criticou.

Se o Conselho mudar, os EUA “regressarão com satisfação”, garantiu Haley.

A decisão vem sem grande surpresa, uma vez que esta administração norte-americana tem sido bastante crítica do organismo.

O porta-voz da ONU, Stéphane Dujarric, interrogado antes da divulgação oficial desta posição dos EUA, recordou que “o secretário-geral (António Guterres) é um adepto fervoroso da arquitetura dos direitos do Homem na ONU e na participação ativa de todos os Estados nesta arquitetura”.

Esta saída acontece depois dos EUA romperem com o acordo de Paris sobre o ambiente e o acordo nuclear com o Irão, e acontece numa altura em que o país é duramente criticado por separar crianças dos pais imigrantes, na fronteira com o México, mantendo-as em celas.

Os grupos de direitos humanos criticam Trump por não fazer dos direitos humanos uma prioridade do seu mandato, já os diplomatas alertam que a saída dos EUA do Conselho dos Direitos Humanos da ONU pode incentivar países como Cuba, Rússia, Egito ou Paquistão que resistem à interferência das Nações Unidas.

O Conselho dos Direitos Humanos da ONU foi criado em 2006 para substituir a Comissão de Direitos Humanos e é formado por 47 países-membros escolhidos por maioria absoluta na Assembleia Geral da ONU.

Em junho de 2017, Haley já tinha exigido uma reforma do Conselho, e este ano Washington impulsionou um projeto de resolução que contemplava mudanças profundas neste grupo.

Entre as propostas americanas destacam-se um dispositivo para que países acusados de cometer violações dos direitos humanos possam ser excluídos do Conselho por maioria simples na Assembleia e não por voto de dois terços.

Os EUA exigiam também que a questão dos "direitos humanos na Palestina" não fosse incluída na agenda de forma sistemática.

Esta não é primeira vez que os EUA se ausentam do Conselho. Sob a presidência do republicano George W. Bush, boicotaram o Conselho desde a sua criação, antes de regressarem durante a presidência do democrata Barack Obama.

Desde a chegada de Donald Trump à Casa Branca, no início de 2017, os EUA retiraram-se da UNESCO, cortaram vários financiamentos a órgãos da ONU e anunciaram a sua saída do Acordo de Paris de combate às alterações climáticas e do acordo nuclear com o Irão apoiado pela ONU.

[Notícia atualizada às 07:01 de 20/06]

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