A ida à missa na Igreja Nacional Portuguesa das Cinco Chagas, de 1914, fazia parte do programa privado de Marcelo Rebelo de Sousa, mas acabou por assumir caráter institucional, com uma intervenção aos fiéis na qualidade de Presidente da República, a partir da tribuna, a convite do padre António Silveira.

"Estamos a muitos, muitos quilómetros de distância do território físico do nosso Portugal e numa celebração em que aquilo que nos uniu foi uma preocupação tanto da lei fundamental americana como da lei fundamental portuguesa: a preocupação social pelos que menos têm, os que mais sofrem, os que mais dependem, os que mais são sacrificados", declarou o chefe de Estado, referindo-se à homilia do padre, sobre a pobreza.

Repetindo uma imagem que usa sempre que visita comunidades emigrantes, Marcelo Rebelo de Sousa considerou que, embora Portugal esteja fisicamente "muito longe" de São José, na Califórnia, "tem um território espiritual que cobre todo o mundo".

"Onde esteja um português, está Portugal, e por isso o nosso território espiritual é muitíssimo maior, é muitíssimo mais vasto do que o território físico, formado pelas ilhas dos Açores, pelas ilhas da Madeira e pelo continente português", reforçou.

Como Presidente da República, deixou palavras de elogio e agradecimento aos portugueses que emigraram para a Califórnia, desde o século XIX, "em condições tão difíceis", maioritariamente vindos das ilhas dos Açores, mas também da Madeira, e aos seus descendentes: "Esse território espiritual só é possível pelo vosso exemplo".

O chefe de Estado afirmou sentir que todos os presentes nesta celebração católica vivem "no mesmo Portugal", mas ressalvou que teria o sentimento "noutra qualquer fé, num qualquer outro encontro, encontro dos que não têm fé" com portugueses fora do país.

Aos jornalistas, à saída da missa, o Presidente da República manifestou-se impressionado e emocionado com "este encontro de portugueses, em língua portuguesa, com os cânticos portugueses, pessoas de todas as gerações, num número tão elevado", com esta "comunidade tão forte" em São José.

"Mostra por que é que temos um território físico pequeno, mas um território espiritual enorme, ilimitado, por todo o mundo, e agradeci-lhes aquilo que fazem todos os dias e muitos fazem há mais de cem anos, há muitas décadas, para manterem vivo Portugal aqui tão longe, numa costa que é tão pouco visitada e tão pouco está presente na cabeça dos portugueses que lá vivem", acrescentou.

Da Igreja das Cinco Chagas – onde também esteve o seu antecessor, Aníbal Cavaco Silva, numa missa em 2011 – Marcelo Rebelo de Sousa seguiu para o Salão Português da Irmandade do Espírito Santo em São José, mesmo ali ao lado, para um encontro com emigrantes portugueses e lusodescendentes da área da Baía de São Francisco.

O caminho, porém, foi demorado, com inúmeras paragens para fotografias com dezenas de pessoas que o rodearam à saída da igreja.

"A gente não chega a ele", queixava-se alguém, enquanto um emigrante português recordava ao chefe de Estado o seu encontro com o anterior Presidente norte-americano: "Eu ia cumprimentá-lo como o Donald Trump, a puxar assim com o braço". Marcelo Rebelo de Sousa respondeu: "Ah, eu puxei-o antes".

Outro emigrante, um pouco à distância, pediu ao chefe de Estado que "ponha o Costa na linha", logo repreendido pela sua mulher: "Ei, hoje fala o senhor Presidente".

"Gostei muito de o ver, é um Presidente popular, eu gosto é assim, fala com toda a gente", disse uma emigrante portuguesa. "É uma honra, muito obrigada, que maravilha", exclamou outra.

* Por Inês Escobar de Lima, enviada da agência Lusa

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