A pouco mais de uma semana das eleições europeias, o estudo da YouGov, desenvolvido para o ‘think-tank’ (grupo de reflexão) Conselho Europeu de Relações Exteriores (ECFR) e que não inclui Portugal, mostra que metade ou mais de metade dos cidadãos da Eslováquia (66%), França (58%), Roménia (58%), Polónia (58%), Itália (58%), Grécia (57%), República Checa (56%), Hungria (53%), Holanda (52%), Alemanha (51%) e Áustria (50%) acredita que o fim da UE poderá acontecer até 2040.

Dos 14 países analisados – que representam mais de 70% dos mandatos no Parlamento Europeu (PE) – só na Suécia (44%), Dinamarca (42%) e em Espanha (40%) a hipótese de a desintegração do projeto europeu ser uma realidade a longo prazo regista níveis inferiores aos 50%.

O documento destaca que quase 92% dos eleitores europeus inquiridos acham que irão perder se a UE entrar em colapso.

“O desafio para os pró-europeus é usar este medo de perda para mobilizar a sua maioria silenciosa e garantir que não sejam apenas os partidos antissistema que se manifestam em 26 de maio [dia em que a maioria dos 28 Estados-membros da UE votam]”, refere o ECFR, na sua página na Internet, numa referência ao desempenho dos atuais líderes europeus e ao surgimento de governos populistas em vários países do bloco comunitário.

O estudo, publicado quarta-feira à noite por um conjunto de jornais internacionais como o britânico The Guardian e o italiano La Stampa, mostra também que, quase sete décadas depois da criação da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CECA), a origem de todo o caminho da integração europeia, três em cada 10 cidadãos europeus inquiridos pensam que um conflito entre os países da UE é também uma “possibilidade realista”.

Por exemplo, mais de um terço dos inquiridos em França (34%) e na Polónia (33%) acredita que uma guerra é possível entre Estados-membros.

O estudo, cujo trabalho de campo decorreu em março passado, também mostra que os europeus estão igualmente preocupados com a falta de prosperidade.

No total dos 14 países, menos de um terço dos inquiridos chega ao fim do mês com dinheiro para gastar em bens não essenciais.

Quando observados país a país, o estudo constata que a resposta sobre esta matéria em sete países (Espanha, Itália, Polónia, França, Roménia, Hungria e Grécia) ficam abaixo dos 30%.

Apesar destas conclusões, que refletem as preocupações generalizadas associadas as eleições europeias que irão decorrer entre 23 e 26 de maio nos 28 Estados-membros da UE segundo o ECFR, o grupo de reflexão destaca que o apoio ao projeto europeu regista atualmente os níveis mais altos em mais de três décadas (desde 1983): dois terços dos europeus acreditam atualmente que ser membro da UE é uma coisa boa.

“Os pró-europeus precisam de oferecer aos eleitores ideias arrojadas que tenham impacto emocional e façam sentir à maioria silenciosa que vale a pena comparecer no final de maio. Ainda não é tarde demais. Com um eleitorado europeu volátil, há até 97 milhões de eleitores que ainda poderão ser persuadidos a votar em partidos diferentes”, indica o diretor do ECFR , Mark Leonard, citado pelo jornal britânico The Guardian.

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