O incêndio que deflagrou em Ourém, no distrito de Santarém, mobilizava às 0:05 de sábado quase 600 operacionais, sendo o único fogo ativo em Portugal continental que reunia mais preocupações, segundo a Proteção Civil, sobretudo devido ao vento.

"Ainda temos algum vento no local que está a afetar as ações de combate" às chamas, referiu fonte do Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Santarém.

De acordo com a mesma fonte, pelas 23:20, o incêndio estava a "arder com intensidade" e a ser feito um reforço de operacionais.

"Encontramo-nos a colocar meios [de combate] de reforço nos locais [do fogo]. Estamos um pouco menos de 600 operacionais - 570 -, mas tendência vai ser para aumentar" durante a noite, anotou.

À Lusa, a fonte do CDOS de Santarém lembrou ainda que "não vai haver recuperação noturna" devido à escassa humidade no ar.

"Aquilo que prevemos é que haja uma redução da intensidade do vento no período noturno, no entanto, as previsões meteorológicas vão ser desfavoráveis", observou, afirmando que a "entrada da humidade não vai ocorrer".

O fogo que deflagrou sexata-feira, às 14:40, no Carvalhal, na freguesia de Espite, e se estendeu às localidades vizinhas, obrigou ao corte da circulação ferroviária na Linha do Norte, desde cerca das 18:30, indicou fonte do Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Santarém.

Um aviário foi destruído por este fogo, provocando um prejuízo de cerca de um milhão de euros, disse à Lusa fonte da empresa situada em Resouro, na freguesia de Urqueira.

Pelo menos 50 pessoas foram retiradas hoje das suas casas, por precaução, devido a este incêndio, disse à Lusa o presidente Câmara de Ourém, Luís Albuquerque. “Estamos a falar de um território muito disperso, com casas muito dispersas no meio da floresta, e por uma questão de precaução entendemos por bem ir evacuando algumas casas, prevendo que o fogo poderia chegar perto dessas casas. Isso efetivamente foi feito, mas povoações inteiras não”, explicou o presidente da Câmara de Ourém.

De acordo com Luís Albuquerque, pelas 20h40 de sexta-feira, o incêndio continuava “com duas frentes ativas” e “com grande intensidade”.

“Os meios [de combate] estão finalmente a chegar ao teatro de operações e esperamos que, com a chegada desses meios, nós consigamos daqui a algum tempo uma situação bem melhor do que aquela que temos tido durante a tarde”, observou.

Verificando melhores condições atmosféricas no local, o presidente da Câmara de Ourém, no entanto, alertou que essas ainda “não são favoráveis”, perspetivando “uma noite de muito trabalho”.

“As condições não são favoráveis, mas são mais favoráveis do que eram há uma ou duas horas, com a diminuição da temperatura, com o aumento da percentagem de humidade e também, neste momento, com a acalmia do vento”, indicou.

“Será uma noite de muito trabalho, esperando que os meios [de combate] que estão em trânsito (...) possam chegar o mais rápido possível para ver se conseguimos começar a dominar o incêndio”, acrescentou.

"O incêndio está ativo com muita intensidade. A velocidade de propagação é muito elevada, motivada por projeções a longa distância", disse na altura o CDOS de Santarém.

A tarde de hoje também ficou marcada por um acidente entre um veículo dos bombeiros, que combatia este incêndio, e um automóvel, tendo provocado três feridos ligeiros, ocupantes da viatura particular, que foram assistidos no Hospital de Leiria.

Linha do Norte cortada. Transbordo de passageiros da CP feito por autocarro

Este incêndio obrigou ao corte da circulação ferroviária na Linha do Norte, desde cerca das 18:30, tinha dito à Lusa ao final da tarde fonte do Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Santarém.

Vários autocarros estão a “providenciar soluções de transbordo rodoviário” aos passageiros da CP que estão em comboios parados.  Num comunicado enviado esta noite às redações, a empresa adiantou que “a Linha do Norte está interrompida por ordem da Proteção Civil, entre as estações de Caxarias [Ourém] e Albergaria dos Doze [Pombal]”.

“Em consequência desta situação, vários comboios estão parados em estações ao longo da Linha do Norte, aguardando o restabelecimento de condições de segurança que permitam retomar a circulação. De igual forma, algumas partidas de comboios estão retardadas nas estações de origem”, salientou.

De acordo com a CP, todos os comboios “envolvidos nesta situação estão parados em estações”, de modo a “garantir condições de segurança e acessibilidade aos clientes”.

“A principal preocupação da CP nesta situação é garantir a segurança dos seus clientes, pelo que se mantém em contacto permanente com as entidades envolvidas no combate ao incêndio para acompanhar o evoluir desta situação, e encontrar as soluções possíveis para a sua resolução”, acrescentou.

[Notícia atualizada às 00h05]

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