Fonte oficial da Cofina tinha afirmado hoje à Lusa que "a fragilidade da situação atual do grupo Media Capital e os fatores que para ela contribuem encontram-se aprofundadamente descritos na decisão da CMVM [Comissão do Mercado de Valores Mobiliários] e na deliberação da ERC, a quem caberá, eventualmente em conjunto com outros reguladores, e com os tribunais, valorar e extrair as devidas consequências das condutas em causa".

Instado a comentar o assunto, Mário Ferreira, que é acionista da Media Capital através da Pluris Investments, com 30,22%, e atual presidente, afirmou que "quem torpedeou gravemente a Media Capital foi quem, desistindo do negócio anterior, podia ter tornado a empresa insolvente".

E rematou: "Foi a minha decisão de investir que salvou a empresa".

"Confesso que não iria fazer qualquer comentário, dadas a inconsistência e o desfasamento da realidade espelhadas nesse comunicado [da Cofina], sempre me ocorre dizer-lhe que somos proativos e abertos com todos os reguladores, respeitando sempre a lei", prosseguiu o empresário.

"Respeitar a lei implica, também, proteger a liberdade de expressão e a ética e deontologia do jornalismo. Aliás, é esse um dos papéis da ERC [Entidade Reguladora para a Comunicação Social]", sublinhou Mário Ferreira.

"Nunca utilizámos qualquer meio de comunicação social para atacar terceiros no que a este negócio respeita e, muito menos, naquilo que cada um deve preservar na sua vida pessoal", concluiu o empresário.

Na terça-feira, dia em que foi eleito presidente da Media Capital, Mário Ferreira afirmou, em conferência de imprensa, que "diversos acionistas" do grupo "têm sido alvo de ameaças" e difamação e acusou a Cofina, que lançou uma oferta pública de aquisição (OPA) sobre a totalidade da dona da TVI, de estar por trás dos ataques.

Já a Cofina, "enquanto oferente na oferta pública de aquisição em curso, continua disponível para fazer parte de uma solução de viabilidade e crescimento para o grupo Media Capital, no respeito pela lei e pelo Estado de Direito democrático", afirmou fonte oficial.

Em 12 de agosto, a Cofina lançou uma OPA sobre 100% do capital da dona da TVI, alterando a oferta de 21 de setembro, sendo o valor de referência proposto de 0,415 euros por ação, a que corresponde um montante total de 35 milhões de euros e considera um 'entreprise value' de cerca de 130 milhões de euros.

Entretanto, a CMVM considerou que houve exercício de concertação entre a Pluris Investments e a Prisa (Vertix) na Media Capital, determinando que o empresário Mário Ferreira lance no prazo máximo de cinco dias, que termina hoje, uma OPA obrigatória sobre 69,78% do capital da dona da TVI.

Em conferência de imprensa, Mário Ferreira remeteu para hoje uma resposta à CMVM, salientando que o que houve foi "um alinhamento de ideias" e não uma concertação.

Relativamente à ERC, Mário Ferreira disse que a deliberação da entidade reguladora "é muito grave" e pode "pôr em causa a sobrevivência da TVI", referindo que "não haverá plano B".

Em 14 de maio, praticamente dois meses depois de a Cofina ter desistido da compra da Media Capital, Mário Ferreira tornou-se acionista da dona da TVI.

Em março, quando o mercado dava praticamente como certa a compra da Media Capital pela dona do Correio da Manhã, o anúncio da desistência – em 11 de março e em vésperas de estado de emergência – apanhou a maioria de surpresa, incluindo Mário Ferreira, que tinha sido desafiado pelo presidente da Cofina, Paulo Fernandes, a envolver-se no negócio.

A operação de aumento de capital da Cofina, de 85 milhões de euros, tinha ficado aquém do objetivo por cerca de três milhões de euros. Perante esta desistência, a espanhola Prisa, na altura dona da Media Capital, contactou Mário Ferreira em busca de uma parceria, o que veio a concretizar-se em maio.

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