O fracking foi um tema principal do debate. Trump continua a promovê-lo e acusa Biden de pretender abolir o método de extração.

Por sua vez, Biden referiu que nunca teria afirmado opor-se ao fracking, mas que iria garantir que pudessem “capturar as emissões de gás” do processo. Porém, explicou também que o seu plano para combater as alterações climáticas estabelece o objetivo de reduzir a zero as emissões de gases com efeito de estufa até 2050, mas não exige a proibição do fracking.

Mas como funciona o fracking e porque é que é controverso?

A fratura hidráulica, ou fracking, é uma técnica desenvolvida para extrair gás e petróleo a partir de rocha de xisto, permitindo às empresas acederem a recursos de petróleo e gás no subsolo.

O método permite também a produção de energia geotérmica para aumentar a recuperação de fluidos quentes utilizados na produção de eletricidade.

De forma simplificada, o processo passa pela extração de gás natural de camadas mais profundas através da injeção de uma mistura de água, areia e químicos a altas pressões. A água ajuda a expandir as fissuras do substrato rochoso, para que as rochas libertem o gás acumulado no seu interior. A areia impede que as fraturas se fechem e os aditivos ajudam à extração. O processo pode ser realizado verticalmente ou, mais frequentemente, através da perfuração horizontal na camada rochosa, o que pode criar novos caminhos para libertar gás ou estender os canais existentes. Segue-se a extração do gás e, no fim do processo, o buraco é selado.

No entanto, a utilização extensiva de fracking levantou preocupações ambientais, desde terramotos, utilização de enormes quantidades de água, eventual utilização de produtos químicos potencialmente cancerígenos que podem "libertar-se" durante a perfuração e contaminar as águas subterrâneas locais, entre outras. A indústria defende, porém, que estes incidentes são resultado de "más práticas" e  não de um processo arriscado.

Porque é que o fracking é tão importante? E qual o impacto na Pensilvânia?

Anteriormente, na Pensilvânia, Trump tinha tocado na sensível questão deste método de extração, apresentando uma compilação de vídeos de Biden e Kamala Harris, nos quais descreviam os seus planos de transição dos combustíveis fósseis.

Nos Estados Unidos, o processo impulsionou significativamente a produção de petróleo, além de ter contribuído para a redução dos preços de gás. No caso da Pensilvânia, um dos Estados mais importantes na disputa entre os candidatos, esta é a técnica de extração utilizada pela indústria petrolífera. Durante os últimos 10 anos, desde o início do boom deste processo, o estado tornou-se um dos maiores produtores de gás do país, apenas atrás do Texas, tendo em 2019, produzido uma quantidade recorde de gás natural graças a este processo de extração.

De acordo com uma sondagem da CBS/YouGov, realizada em agosto, 77% dos republicanos afirmaram apoiar a indústria de fracking. Contudo, no que concerne aos eleitores recenseados, a sondagem reporta que 52% se opõem ao processo de extração.

A indústria do fracking apresenta agora um excesso de oferta de gás e uma consequente redução dos postos de trabalho. De acordo com o Departamento de Proteção Ambiental do Estado, a indústria do gás natural, incluindo extração, transmissão e produção de eletricidade, empregava pouco menos de 24.000 pessoas em 2019, representando uma diminuição de 7%, desde 2017.

Além disto, o processo é frequentemente associado a danos à saúde e ao ambiente em vários estados do país, por ser relacionado elevadas emissões de metano – um gás com efeito de estufa potente.

Apesar dos inconvenientes da expansão do fracking, como os químicos utilizados e alguns casos de contaminação de água, o governo do estado tem apoiado a indústria, através de incentivos, como a isenção fiscal atribuída à Shell para a construção de uma fábrica de plástico que recorrerá a parte do gás natural extra do estado. Para os ativistas, este tipo de incentivos podem afastar as empresas de energia do investimento em fontes renováveis, acabando por alimentar a dependência dos combustíveis fósseis.

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