O primeiro-ministro francês, Jean Castex, informou que os cidadãos de uma lista de países ontem apresentada - alguns dos quais ainda estão com as fronteiras fechadas - devem apresentar um "teste que comprove que não têm o vírus para poder embarcar nos aviões correspondentes".

Entre os países com restrições estão os Estados Unidos e o Brasil, os dois mais afetados no mundo, e o Peru, o segundo com o maior número de casos na América Latina. A Índia, que registrou 740 novas mortes nesta sexta, aumentando o balanço oficial para 30.601, também foi incluída na lista.

Jean Castex também recomendou que os franceses evitem viagens à região espanhola da Catalunha, onde novos surtos do vírus foram registrados há alguns dias, "enquanto a situação sanitária não melhore".

Os novos surtos na Europa, região que regista até o momento 207.346 mortes e mais de 3 milhões de casos, levantou novas preocupações da OMS, que pediu cautela ao levantar restrições.

"O ressurgimento recente de casos em alguns países que levantaram medidas de distanciamento social é realmente uma preocupação (...) As restrições devem ser cuidadosamente retiradas. Onde houver surtos, deve haver uma reação rápida e bem dirigida, isolamentos, rastreamento de casos e quarentenas", disse uma porta-voz da OMS-Europa à AFP.

Nesse contexto, a Noruega voltou a impor restrições, desta vez relacionadas com as viagens a Espanha, destino popular entre os seus cidadãos. Será imposta uma quarentena de dez dias a quem regressar ao país a partir do território espanhol, onde a pandemia causou até o momento 28.426 mortes.  Houve uma exceção, no entanto, para o ator americano Tom Cruise e uma equipa de filmagem da série cinematográfica "Missão Impossível".

A Alemanha, por sua vez, decidiu também nesta sexta começar a fazer testes gratuitos aos turistas que cheguem ao seu território.

Em termos proporcionais, a Bélgica, que regista 64.847 casos e mais de 9.800 mortes, é um dos países com o maior número de óbitos por Covid-19, com 85 vítimas fatais por 100.000 habitantes.

Os belgas ficaram abalados nesta sexta-feira, com a morte de uma menina de três anos em decorrência da Covid-19. Foi a vítima mais jovem do país, que segundo as autoridades sofria de patologias anteriores.

Com o aumento de infecções, a primeira-ministra Sophie Wilmès anunciou mais medidas de proteção e máscara obrigatória em "locais lotados" abertos e fechados.

Essa decisão começa a ser aplicada noutros países, como a Áustria, que anunciou que a máscara voltaria a ser obrigatória a partir desta sexta-feira em supermercados e em locais oficiais.

A mesma decisão foi tomada pelo Reino Unido para centros comerciais, bancos, supermercados e outros espaços fechados.

Aulas presenciais nos EUA?

Nos Estados Unidos, até mesmo o presidente Donald Trump, que durante meses minimizou o impacto da crise, descreveu nesta semana como "preocupante" o aumento de casos no sul do país e cancelou a convenção republicana na Flórida no fim de agosto, altura em que será declarado o candidato do partido às presidenciais de novembro.

A 100 dias das eleições, o republicano que parece atrás nas sondagens em relação ao adversário, o democrata Joe Biden, insiste sobre o regresso das atividades, como forma de reacender a economia.

A pressão pela reabertura das escolas teve um efeito no órgão federal de saúde pública dos EUA, que se mostrou favorável a um regresso dos estudantes às aulas.

Nesta sexta, o país registou 73.795 casos e 1.157 mortes por Covid-19 em 24 horas, segundo contagem da Universidade Johns Hopkins, referência no acompanhamento da pandemia.

É o segundo dia seguido em que o país mais castigado pela pandemia regista mais de 70.000 novos contágios em um dia.

Com estes números, os Estados Unidos totalizam mais de 4,1 milhões de casos e 145.324 óbitos desde o início da pandemia.

Empregos atingidos na América Latina

Desde que surgiu no final do ano passado na China, o novo coronavírus infectou cerca de 15,5 milhões de pessoas e matou mais de 634.000 em todo mundo, segundo uma contagem da AFP baseada em dados oficiais.

Na América Latina e no Caribe, a pandemia causou mais de 176.900 mortes e mais de 4,1 milhões de casos. Além disso, os empregos sofrerão um duro golpe, de acordo com o vice-presidente do Banco Mundial para a região, Carlos Felipe Jaramillo, em entrevista à AFP.

"Prevemos uma perda de pelo menos 25 milhões de empregos para este ano, e esse número pode ser pior dependendo de como a situação evoluir nos próximos cinco ou seis meses", estimou o economista.

Jaramillo também destacou que não há histórico de um desastre semelhante na América Latina: "Nenhuma outra crise gerou uma queda na produção e dados preocupantes de desemprego como essa", ressaltou.

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) estima que a pandemia aumentou o número de desempregados para 41 milhões, um recorde para a América Latina, face aos 25 milhões registados em janeiro.

No Brasil, o país latino-americano mais afetado pela pandemia, o coronavírus avança sem trégua, com 2.343.366 casos e 85.238 mortes.

A situação causou o adiamento do carnaval de São Paulo, que estava previsto para fevereiro de 2021, segundo anúncio feito nesta sexta-feira pelo prefeito, Bruno Covas.

Apesar da controversa gestão da pandemia, a popularidade do presidente Jair Bolsonaro, que está infetado com Covid-19, recuperou, segundo três sondagens divulgadas nesta semana.

A situação também é grave no México, que registou um novo pico no número de infecções nas últimas 24 horas, com 8.438 novos casos, segundo o último balanço.

O país (que conta com 370.712 casos confirmados e 41.908 mortes) ocupa o quarto lugar no mundo em número de mortes, atrás somente dos Estados Unidos, Brasil e Reino Unido.

A nota positiva na região veio do Chile, onde as autoridades anunciaram o início de uma primeira etapa de desconfinamento em sete comunas de Santiago a partir da semana que vem, face à melhoria dos números de contágio. Vários destes bairros estão em quarentena desde março.

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