"Estamos num jogo muito perigoso", concorda o embaixador Francisco Seixas da Costa, que teme uma escalada do conflito, mas que ainda confia no discernimento do ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergey Lavrov, de quem foi colega nas Nações Unidas: "É um homem com grande experiência internacional e sabe que o tipo de medidas e propostas de Putin é inconcebível. E com humor".

Mas a situação é mais perigosa agora do que no tempo da União Soviética, considera o ex-secretário de Estado dos Assuntos Europeus, que diz que estamos perante a Rússia tradicional, da Chechénia, do carpet bombing [bombardeamento de grandes áreas forma progressiva], de uma demonstração de força que pode implicar um alvo seletivo - como aconteceu em Hiroshima (ou Nagazaki). "Putin pode ir muito longe e nós não sabemos até onde".

"Fomos tentando comprar Putin para ter uma normalização da relação com a Rússia, um erro que antes já cometemos com a China. A ideia de tentar comprar com um modelo capitalista aquilo que é um poder de natureza central e autoritário é uma coisa que já se viu que não dá", afirma o embaixador. Ainda assim, lembra, a Rússia nunca esteve tão sozinha. E isso viu-se na assembleia geral da ONU que aprovou uma resolução que condena a invasão russa da Ucrânia: dos 193 membros, cinco votaram contra, mas 35 abstiveram-se, entre eles, Cuba.

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Mas, acrescenta o antigo piloto da TAP, José Correia Guedes, o isolamento da Rússia é ainda mais profundo. É que a Rússia é o maior país do mundo e as ligações são feitas quase exclusivamente por via aérea. E, neste momento, "a esmagadora maioria dos aviões da Aeroflot, companhia de viação russa, são ocidentais, Boeing e Airbus. Mesmo os que são russos têm componentes ocidentais", que deixarão de ser fornecidas.

Ainda no âmbito aéreo, a Ucrânia conta neste conflito com a ajuda dos drones fabricados na Turquia, equipados com mísseis, e que têm provocado autênticas razias no inimigo, lembra o autor de "O Aviador" e da biografia de "Carlos Bleck", um herói da aviação portuguesa. Uma arma que os turcos também forneceram ao Azerbaijão e que foi devastadora contra a Arménia.

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