O texto publicado no jornal Correio Brasiliense, que não menciona o nome do Presidente brasileiro diretamente, mas com críticas a Bolsonaro e ao Governo, alertou que “a população, como árbitro supremo da atividade política, será obrigada a demarcar um rio Rubicão cuja ilegal transposição por um governante piromaníaco será rigorosamente punida pela sociedade”.

Usando como título a expressão em latim “Memento morri” (“lembre-se de que você é mortal” ou “lembre-se da morte”), o antigo porta-voz do Governo disse: “É doloroso perceber que os projetos apresentados nas campanhas eleitorais, com vistas a convencer-nos a depositar nosso voto nas urnas eletrónicas, são meras peças publicitárias”.

“Infelizmente, o poder inebria, corrompe e destrói! E se não há mais escravos discordantes leais a cochichar: ‘Lembra-te que és mortal’, a estabilidade política do império está sob risco”, acrescentou o general.

Rêgo Barros avaliou que tão logo o mandato se inicia os planos dos políticos eleitos “são paulatinamente esquecidos diante das dificuldades políticas por implementá-los ou mesmo por outros mesquinhos interesses”.

O antigo porta-voz do Governo brasileiro também criticou indiretamente auxiliares de Bolsonaro que, por conveniência, preferem concordar com tudo o que o chefe de Estado brasileiro diz.

“Alguns deixam de ser respeitados. Outros, abandonados ao longo do caminho, feridos pelas intrigas palacianas. O restante, por sobrevivência, assume uma confortável mudez. São esses, seguidores subservientes que não praticam, por interesses pessoais, a discordância leal”, afirmou.

O Governo brasileiro demitiu o general no início de outubro. Rêgo Barros ocupava o cargo desde janeiro de 2019, início do mandato de Bolsonaro.

A demissão ocorreu semanas depois de o Governo informar que iria “desativar” o cargo de porta-voz da Presidência após recriar o Ministério das Comunicações.

Rêgo Barros foi escolhido como porta-voz da Presidência por Bolsonaro em janeiro de 2019 e durante esse ano manteve um relacionamento fluído com os ‘media’ através de conferências de imprensa.

No entanto, os ‘briefings’, que eram praticamente diários, deixaram de ser realizados em 2020, ano em que o porta-voz foi progressivamente perdendo espaço dentro do Governo.

Jair Bolsonaro, capitão na reserva do Exército e que mantém atritos com empresas de comunicação social, que passou a qualificar de “inimigas” do seu Governo, também concedia entrevistas nos portões do Palácio da Alvorada, a sua residência oficial em Brasília, embora posteriormente tenha abandonado essa prática.

Antes de ingressar na equipa do Bolsonaro, o general atuava como chefe do Centro de Comunicação Social do Exército.

Natural da cidade de Recife, o general ingressou na carreira militar em 1975 e serviu na Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah).

Também comandou a força de paz que interveio nos complexos das favelas do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, e coordenou a segurança da Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, a Rio +20.

Rêgo Barros ingressou na reserva do Exército em 31 de julho deste ano.

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