“Enquanto organizações que trabalham por uma Europa igualitária e inclusiva, gostaríamos de manifestar as nossas sérias preocupações quanto à falta de uma reação assertiva dos líderes da UE relativamente à brutalidade policial contra pessoas de cor na Europa”, afirma a Rede Europeia Contra o Racismo (ENAR, na sigla em inglês) numa carta hoje enviada à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e divulgada à imprensa.

Na missiva – que também é coassinada por duas organizações portuguesas –, a rede lamenta também o “racismo institucional e estrutural” a nível europeu, na sequência do assassínio de George Floyd nos Estados Unidos e dos consequentes protestos de solidariedade na Europa e em todo o mundo.

Falando na existência de “policiamento discriminatório na Europa”, a ENAR critica que “os dirigentes da UE e dos Estados-membros tenham apontado o dedo aos Estados Unidos pela morte de George Floyd e pela brutalidade policial, mantendo ao mesmo tempo um silêncio ensurdecedor sobre a situação nos seus próprios países, chegando ao ponto de negar que a violência policial é um problema” no espaço comunitário.

“Esta falta de reação reflete a negação de uma longa existência de sistemas de opressão nas sociedades europeias, de injustiças históricas e de desigualdades raciais persistentes nas áreas da habitação, dos cuidados de saúde, do emprego e da educação, bem como de experiências repetidas de violência estatal e de impunidade”, aponta a organização.

Na missiva - que é também assinada pelas organizações portuguesas Akaz - Associação Kazumba e Grupo Educar - Plataforma de Educadores Antirracistas -, a ENAR frisa ser “urgente assegurar práticas policiais justas e eficazes para todas as comunidades”, exortando os países da UE a “adotarem medidas para combater e prevenir o racismo através da aplicação da lei”, por exemplo com “severas em casos de violência policial” e “investigações justas e independentes”.

A reação surge na sequência da morte de George Floyd, um afro-americano de 46 anos que morreu em 25 de maio, em Minneapolis (Minnesota), depois de um polícia lhe ter pressionado o pescoço com um joelho durante cerca de oito minutos numa operação de detenção, apesar de Floyd dizer que não conseguia respirar.

Desde a divulgação das imagens nas redes sociais, têm-se sucedido os protestos contra a violência policial e o racismo em dezenas de cidades norte-americanas e também em vários sítios na Europa, numa onda de condenação ao racismo um pouco por todo o mundo.

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