“Segundo o plano nacional de vacinação contra a covid-19, a vacina é universal, ou seja, destina-se a qualquer pessoa com residência em Portugal, desde que esteja clinicamente indicada para essa pessoa”, adiantou hoje à Lusa fonte da 'task force' que coordena a logística da vacinação.

De acordo com a mesma fonte, o plano de vacinação dos imigrantes não legalizados “está em curso, estando a ser avaliada a forma mais rápida de trazer estes imigrantes ao processo”, num trabalho coordenado entre a 'task force', o Ministério da Saúde e diversas secretarias de Estado, entre as quais a que tem a área da Integração e Migrações.

No início do mês, o coordenador da 'task force' do plano de vacinação, vice-almirante Henrique Gouveia e Melo, adiantou que este processo passará, numa primeira fase, pela atribuição de um número de saúde a esses imigrantes, que permita o seu acompanhamento pelos serviços de saúde.

“Não podemos deixar pessoas que vivem em território nacional sem vacinação. Não podemos ser egoístas. A comunidade não pode ser egoísta. Essas pessoas sem vacinação vão atacar a própria comunidade porque são propagadoras de vírus”, afirmou o vice-almirante na altura.

Também no início deste mês, o Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC) alertou para o risco de exposição dos migrantes ao coronavírus SARS-CoV-2, que provoca a doença covid-19, devido aos “trabalhos precários” e ao “alojamento superlotado”, recomendando acesso equitativo à vacinação, nomeadamente dos ilegais.

“Embora as populações migrantes em toda a UE/EEE [União Europeia e Espaço Económico Europeu] sejam extremamente heterogéneas, há provas de que algumas comunidades migrantes podem estar em alto risco de exposição e infeção pelo SARS-CoV-2 e estão desproporcionadamente representadas em casos, hospitalizações e mortes”, assinalou o ECDC num relatório.

No documento sobre o impacto da covid-19 nas populações migrantes nos países da UE/EEE, incluindo Portugal, esta agência europeia indica que algumas destas pessoas “foram desproporcionadamente afetadas pela pandemia”, ao sofrerem “uma série de impactos sanitários e sociais”.

Em concreto, o ECDC destaca que “os migrantes em ambientes de trabalho precários podem ter estado em maior risco de perder empregos e fontes de rendimento”.

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