A decisão do executivo helénico, que terá efeitos práticos a partir de 01 de junho (próxima segunda-feira), vai abranger mais de 11 mil pessoas que vivem atualmente em centros de acolhimento, casas e hotéis destinados para requerentes de proteção internacional.

O protesto de hoje decorreu em frente à sede do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR) na capital grega.

“A expulsão não pode ser considerada como um ponto de partida para a integração social”, denunciou um comunicado assinado por várias organizações humanitárias não-governamentais (ONG), entre as quais a Human Rights360, o Conselho Grego para os Refugiados e a União Grega para os Direitos Humanos.

“É inadmissível que o Estado, as instituições e os cidadãos aceitem que as pessoas reconhecidas como refugiadas sejam desalojadas”, acrescentaram as ONG.

Segundo vários testemunhos recolhidos por estas ONG, os refugiados foram avisados há 15 dias, via telefone, que tinham de sair dos seus atuais alojamentos no dia 01 de junho.

Estas pessoas relataram ainda que os seus esforços para alugar uma casa revelaram-se infrutíferos, porque, de acordo com os mesmos, os proprietários de imóveis na Grécia não estão dispostos a alugar casas a refugiados.

As pessoas que tenham problemas de saúde graves, grávidas ou mulheres com recém-nascidos são abrangidas por uma prorrogação de dois meses.

Já os menores não acompanhados poderão prolongar a estadia nestes locais por mais três meses, de forma a não interromper a escolaridade.

Em declarações à agência espanhola EFE, uma fonte do Ministério das Migrações grego anteviu que este processo de desalojamento esteja concluído daqui a 30 a 45 dias.

A concretização do plano vai depender dos novos diretores dos centros de acolhimento, que foram nomeados esta semana pelo Governo grego, indicou a mesma fonte.

Também a partir da próxima segunda-feira, as pessoas que já obtiveram o estatuto de refugiado vão deixar de receber as ajudas sociais previstas para os requerentes de proteção internacional.

Num comunicado, citado pela EFE, o Ministério das Migrações grego assegurou que este plano foi coordenado com os serviços sociais, para que os refugiados desalojados possam aceder rapidamente a todas as ajudas sociais e aos programas de formação profissional disponíveis.

“Estamos preocupados com o facto de os refugiados reconhecidos serem deixados sem assistência, enquanto não conseguem ter um acesso efetivo ao mercado de trabalho ou a programas de solidariedade social, que, em qualquer dos casos, estão previstos na lei grega”, disse à EFE a porta-voz do ACNUR em Atenas, Stela Nanu.

Estes desalojamentos estavam previstos começar em abril, mas foram adiados devido à pandemia do novo coronavírus.

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