“A adesão correspondeu às nossas expectativas, sem dúvida, em todos os sentidos. As cirurgias programadas foram praticamente todas adiadas, foram feitas as que estavam contratualizadas pelos serviços mínimos: as oncológicas e urgentes”, disse à Lusa Sara Rêgo, do movimento de enfermeiros que avançou com a ideia de uma greve em formato diferente do habitual, com a adesão dos profissionais a ser financiada com 360 mil euros angariados numa recolha de fundos que decorreu ‘online’, compensando a perda de salário pela paralisação.

De acordo com a enfermeira, no Hospital de São João, um dos cinco hospitais públicos abrangidos pelo protesto, foram canceladas 74 cirurgias programadas e no centro hospitalar do Porto foram canceladas 86 cirurgias.

Sara Rêgo, que ao início da noite estava ainda a recolher dados da adesão, disse ter a indicação de que em Setúbal foram adiadas todas as cirurgias, que seriam cerca de 30.

A enfermeira disse acreditar que o exemplo do primeiro dia é demonstrativo de que o protesto, que se alarga também ao Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra e ao Centro Hospitalar Lisboa Norte, “vai continuar com a mesma mobilização até ao fim”, até porque os enfermeiros não veem, “da parte do Governo, grande vontade em negociar uma carreira”, que estes profissionais consideram justa.

Lamentou a falta de consenso com a tutela, dando o seu exemplo para justificar o descontentamento da classe: contratada e precária há 13 anos, sem ter direito a integrar uma carreira.

“Nem com a proposta que nos foi dada a 20 deste mês vinha alguma coisa contemplada relativamente aos contratados. Já são muitos anos em condições precárias de trabalho e nós não merecemos continuar assim. Acredito que os colegas estão mobilizados e sensibilizados para continuar nesta forma de luta enquanto não houve uma vontade eficaz por parte do Governo para negociar com os sindicatos”, disse.

Os enfermeiros de cinco blocos operatórios de hospitais públicos iniciaram hoje uma greve de mais de um mês às cirurgias programadas, que pode adiar ou cancelar milhares de operações.

A greve cirúrgica, decretada pela Associação Sindical Portuguesa de Enfermeiros (ASPE) e pelo Sindicato Democrático dos Enfermeiros de Portugal (Sindepor), abrange o Centro Hospitalar Universitário de S. João, o Centro Hospitalar Universitário do Porto, o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, o Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte e o Centro Hospitalar de Setúbal.

A paralisação visa “parar toda a cirurgia programada, mantendo, naturalmente, assegurados os cuidados mínimos decretados pelo tribunal”, segundo um comunicado dos sindicatos.

Os enfermeiros reivindicam uma carreira transversal a todos os tipos de contratos e uma remuneração adequada às suas funções, tendo em conta “a penosidade inerente ao exercício da profissão”, segundo as estruturas sindicais.

Na terça-feira, os dois sindicatos que convocaram a paralisação decidiram manter o protesto nos cinco blocos operatórios, por falta de acordo com o Governo sobre a estrutura da carreira.

Numa nota à imprensa enviada antes do final da reunião negocial de terça-feira à tarde, o Ministério da Saúde invocou que na proposta apresentada aos sindicatos se destaca “a consolidação do enfermeiro especialista e o reconhecimento da importância da gestão operacional de equipas pelo enfermeiro coordenador".

A tutela assume que a proposta de revisão da carreira especial de enfermagem "constitui a aproximação possível às reivindicações apresentadas" pelos sindicatos, "num contexto de sustentabilidade das contas públicas e equidade social".

O secretário de Estado Adjunto e da Saúde disse na quarta-feira que o Governo fez “um esforço muito significativo” para ir ao encontro das reivindicações dos enfermeiros e entende que a manutenção da greve vai atrasar o processo negocial e um possível acordo.

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