Em declarações à agência Lusa, fonte oficial do grupo que gere mais de uma dezena de colégios privados em Portugal garantiu que "não vai haver despedimentos" e que as negociações têm como objetivo "tornar a EPVL sustentável".

"A nova gerência da EPVL está a promover um levantamento rigoroso de todos os domínios da escola. Nesse seguimento, entendeu por bem, na defesa da sustentabilidade imediata da escola, iniciar conversações com alguns trabalhadores para saber da sua disponibilidade para um eventual acordo mútuo com vista à revogação dos seus contratos de trabalho", garante a mesma fonte.

O grupo GPS assegura que, em alguns casos, limitou-se a "dar seguimento a contactos já iniciados pela anterior gerência" e avança que a Escola precisa de se tornar sustentável, uma vez que tem sido deficitária ao longo dos anos. "Só funcionários não docentes são 36", acrescenta a mesma fonte.

A EPVL foi comprada em hasta pública em maio, por 491 mil euros, num processo muito contestado pela oposição local ao executivo municipal socialista da Mealhada, liderado por Rui Marqueiro.

A Câmara desta autarquia do distrito de Aveiro promoveu a hasta pública apenas oito meses depois de ter adquirido a quota que a Caixa de Crédito Agrícola detinha na EPVL, por 176 mil euros. Na altura da aquisição, Marqueiro garantiu que a EPVL era vital para o projeto educativo do município.

Foi por isso recebida com surpresa a decisão da Câmara de propor a venda em hasta pública. "A decisão foi tomada após a informação, que colheu o executivo de surpresa, de que a comparticipação da Segurança Social, de 15% do Projeto Educativo, terá que ser anualmente suportada pela autarquia, o que só em relação a 2019 representa uma despesa de 256 mil euros", justificou o executivo, em documento enviado à Assembleia Municipal.

A hasta pública teve como desfecho a venda ao grupo GPS, que apresentou a única proposta de compra. Pouco mais de uma semana depois, o grupo, que tem como rosto António Calvete, tomou conta da EPVL.

O negócio foi contestado pela oposição e sobretudo pelo ex-presidente da Câmara da Mealhada Carlos Cabral, que, em protesto, se desfiliou do Partido Socialista.

"A EPVL foi passada por uns tostões. O município está muito mais pobre", escreveu o ex-autarca na imprensa local e nas redes sociais.

O grupo GPS justifica a compra, argumentando que "a EPVL tem uma importante reputação e um grande potencial, que pode ser ampliado com o aproveitamento de sinergias, designadamente ao nível da gestão", com outras escolas profissionais.

"Julgamos que é possível assegurar o cumprimento da sua missão com a sustentabilidade, sendo que só pode cumprir essa missão se for sustentável. Temos confiança neste projeto e estamos alinhados com as forças vivas do concelho", garante o grupo.

Nos últimos dias, as redes sociais têm sido palco para críticas à maneira como a Câmara conduziu o processo. Rui Marqueiro tem sido o mais visado, com o PSD local a responsabilizá-lo pelo impacto de eventuais despedimentos.

"A EPVL já não é do município, o município não despediu nem vai despedir ninguém", garante o autarca numa declaração enviada à Lusa.

Marqueiro refere que a autarquia não pode interferir na gestão de uma empresa privada e adianta que a sua maior preocupação, neste momento, é encontrar soluções para o desemprego que aumentou no concelho durante o confinamento provocado pela pandemia covid-19.

"Focam-se na Escola, porque querem atacar a Câmara Municipal da Mealhada", conclui.

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