“Isto não é um problema de esquerda nem de direita, é um problema de democracia”, disse, Juan Guaidó, sublinhando que “o mundo está consciente disso”.

Juan Guaidó falava na Praça Bolívar de Chacao (leste de Caracas), naquele que foi o seu primeiro discurso após regressar de um périplo internacional.

Falou para centenas de simpatizantes e também para os embaixadores de países que o apoiam, entre eles o português Carlos de Sousa Amaro.

“Covardes. Não porque os desafiei e regressei à Venezuela. Esta é uma ditadura covarde porque não aceita o seu destino. Estão sozinhos, isolados (…) Covarde Nicolás (Maduro)!”, exclamou.

O presidente do parlamento da Venezuela explicou que “os mecanismos de pressão contra a ditadura vão aumentar (…) por muito polémicos que sejam vão continuar a aumentar” e que “a ditadura deve entender” que a oposição não desistirá.

Guaidó denunciou que nos confrontos ocorridos à sua chegada ao Aeroporto de Maiquetía, “atuaram grupos irregulares em cumplicidade com as forças de segurança do Estado”.

“Já não podemos chamar organismos de segurança aos organismos de segurança do Estado, são órgãos repressivos da ditadura”, disse, solidarizando-se com os jornalistas agredidos.

Por outro lado, acusou o regime de ter tentado “pela força, com assassinatos políticos” dividir os partidos opositores e de ter inventado um escritório de advogados que não podem apelar ao Supremo Tribunal de Justiça.

Guaidó pediu à população que permaneça firme porque a Venezuela “vai renascer” e apelou para se manter as manifestações de protesto, depois de ter convocado para hoje uma sessão parlamentar extraordinária.

Anunciou também a criação do Fundo Venezuela para recuperar a indústria petrolífera e a infraestrutura do país “depois de começar a transição”.

O presidente do parlamento da Venezuela, o opositor Juan Guaidó, chegou terça-feira à Venezuela, tendo sido agredido por simpatizantes do regime venezuelano.

Guaidó chegou a Caracas num voo da TAP proveniente de Lisboa

Juan Guaidó chegou ao Aeroporto Internacional Simón Bolívar de Maiquetía (25 quilómetros a norte de Caracas), o principal do país, às 17:00 locais (21:00 em Lisboa), a bordo de um voo da transportadora TAP, e à chegada simpatizantes do regime agrediram-no na cara e rasgaram-lhe a camisa, perante a indiferença de agentes da Guarda Nacional Bolivariana (GNB, polícia militar).

Guaidó, que chegou a Caracas proveniente de um périplo iniciado a 19 de janeiro pela Colômbia, visitou posteriormente a Inglaterra, Suíça, Espanha, Canadá, França e Estados Unidos, onde se reuniu com diferentes governantes e inclusive com o Presidente norte-americano Donald Trump, respetivamente.

A crise venezuelana agravou-se desde janeiro de 2019, quando o líder opositor e presidente do parlamento, Juan Guaidó, jurou publicamente assumir as funções de presidente interino da Venezuela até conseguir afastar Nicolás Maduro do poder, convocar um governo de transição e eleições livres no país.

Os EUA foram o primeiro de mais de 50 países que manifestaram apoio a Juan Guaidó, entre eles Portugal, uma posição tomada no âmbito da União Europeia.

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