O chefe da diplomacia russa disse também que só conhecia o conteúdo através da comunicação social, uma vez que o texto não tinha sido comunicado a Moscovo.

O vice-ministro e adjunto de Lavrov, Andrei Rudenko, disse na segunda-feira que tinha recebido a proposta italiana e que estava a ser estudada.

“Fala sobre a Crimeia [a península ucraniana anexada pela Rússia em 2014] e o Donbass [que reúne as áreas sob controlo de separatistas pró-russos, Donetsk e Lugansk] como pertencentes à Ucrânia com ampla autonomia”, disse Lavrov numa entrevista aos meios de comunicação estatais russos RT, divulgada hoje.

“Os políticos sérios que querem resultados não podem propor coisas como esta, aqueles que o querem são aqueles que se querem promover perante o seu eleitorado”, acrescentou o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, numa aparente referência ao seu homólogo italiano, Luigi Di Maio.

O governante italiano anunciou há uma semana que o seu país tinha proposto às Nações Unidas a constituição de um “grupo internacional de facilitação” para tentar alcançar “passo a passo” um cessar-fogo na Ucrânia.

Os pormenores deste plano não foram publicados, mas segundo o diário italiano La Repubblica, o documento apresentado à ONU prevê quatro etapas: um cessar-fogo na Ucrânia e a desmilitarização da frente sob a supervisão da ONU; negociações sobre o estatuto da Ucrânia, que aderiria à União Europeia mas não à NATO; um acordo bilateral entre a Ucrânia e a Rússia sobre a Crimeia e a região do Donbass, que seria autónomo mas sob soberania ucraniana, e, por fim, a conclusão de um acordo multilateral de paz e segurança na Europa.

A Rússia lançou, em 24 de fevereiro, uma ofensiva militar na Ucrânia que já matou quase quatro mil civis, segundo a ONU, que alerta para a probabilidade de o número real ser muito maior.

A ofensiva militar causou já a fuga de mais de 14 milhões de pessoas de suas casas — mais de oito milhões de deslocados internos e mais de 6,6 milhões para os países vizinhos -, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Também as Nações Unidas disseram que cerca de 15 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária na Ucrânia.

A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas e políticas a Moscovo.

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