Num comunicado hoje divulgado pelas fundações, lê-se que a iniciativa “prevê a abertura de um concurso, já em março, que permitirá duplicar o valor destinado aos projetos de inclusão social pelas artes em Portugal e para o qual as duas fundações contribuirão em partes iguais”.

A PARTIS & Art for Change “terá 1,5 milhões de euros para apoio a projetos artísticos com impacto social”.

“Esta colaboração resulta do trabalho que ambas as fundações têm vindo a desenvolver nesta área desde há vários anos e que, através da PARTIS & Art for a Change, será reforçado e potenciado”, acrescenta o comunicado.

A Fundação Calouste Gulbenkian apoia, desde 2013, projetos de intervenção social pelas artes através do programa PARTIS – Práticas Artísticas para a Inclusão Social.

Ao longo de três edições — a terceira está a decorrer — “foram apoiados 48 projetos, num total de três milhões de euros de financiamento”.

Nas duas primeiras edições, o PARTIS “abrangeu cerca de 11.500 participantes, envolveu 651 organizações parceiras e resultou em quase 1000 apresentações públicas (espetáculos, instalações, exposições) que mobilizaram mais de 200 mil espetadores”.

Na primeira edição (2013/2016) foram apoiados 17 projetos, entre mais de 200 candidaturas, na segunda (2016/2018) 16, de 160 projetos recebidos. Na terceira edição (2019/2021) foram escolhidos 15 projetos, de 132 candidaturas.

A iniciativa Art for Change, da “la Caixa”, existe desde 2008 em Espanha e foi criada “com o objetivo de apoiar projetos artísticos que promovessem a transformação social”.

Até hoje, receberam financiamento “383 projetos, num total de cerca de 5 milhões de euros, que abrangeram 59 mil participantes, 170 entidades culturais e 308 artistas”.

Os projetos apoiados pela iniciativa PARTIS têm sido apresentados na mostra “Isto é PARTIS”, cuja edição deste ano começa hoje, na sede da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

Na mostra, com entrada gratuita e que decorre até domingo, serão apresentados alguns dos 15 projetos que estão a ser apoiados pela fundação na terceira edição.

A mostra começa hoje com a conferência internacional “Arriscar juntos: que novos centros de criação artística hoje?”, na qual participam, entre outros, Philipp Dietachmair, da European Cultural Foundation (Holanda), Stella Duffy, cofundadora do projeto “Fun Palaces” (Reino Unido), Magda Henriques, diretora artística das Comédias do Minho, e Marco Paiva, fundador da Terra Amarela.

Ainda hoje será apresentado o livro “Arte e Esperança. Percursos da iniciativa PARTIS”, com coordenação de Hugo Cruz, e “Estamos todos no mesmo barco”, peça inspirada em “Os Lusíadas”, de Luís de Camões, interpretada por jovens reclusos do Estabelecimento Prisional de Leiria e resultado de uma residência artística com o Leirena Teatro, no âmbito do projeto Pavilhão Mozart — Ópera na Prisão.

No sábado de manhã, a “Isto é PARTIS” troca a sede da Fundação Calouste Gulbenkian pela Biblioteca Municipal de Marvila, onde será apresentado o projeto Meio no Meio, “uma iniciativa da Artemrede que desenvolve formações artísticas com jovens e adultos residentes na Área Metropolitana de Lisboa como forma de promover a capacitação, as oportunidades de aprendizagem e a cidadania ativa”.

À tarde, na sede da fundação, haverá uma nova apresentação da pela “estamos todos no mesmo barco” e será exibido o documentário “Batida de Lisboa”, de Rita Maia e Vasco Viana.

O programa de domingo inclui a apresentação da instalação/performance “Enxoval, um bordado a muitas mãos”, do projeto Enxoval, que “partindo do símbolo do enxoval enquanto representação social da condição feminina, propõe a criação de um bordado feminista coletivo e subversivo”, e o primeiro espetáculo do projeto Mare Liberum, “Monstro em Mim”, no qual 13 jovens do Centro Educativo Navarro de Paiva “interpretam uma história sobre medo e superação”.

A encerrar a mostra haverá um concerto da Orquestra de Percussão Corporal, do Conservatório D’Artes de Loures, “que prova de que qualquer pessoa pode fazer música utilizando apenas o seu corpo”, e a exibição do filme “Djon África”, de Filipa Reis e João Miller Guerra, sobre um jovem que viaja para Cabo Verde em busca das raízes familiares e do pai, que não conheceu.

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