“É um facto que as energias fósseis são demasiado subsidiadas, o que significa que estamos a investir na nossa própria perda”, declarou o antigo primeiro ministro português na cimeira Um Planeta, que decorre hoje em Paris por iniciativa do presidente francês, Emmanuel Macron, e com coordenação da ONU e do Banco Mundial, para assinalar os dois anos do acordo de Paris para limitar o aquecimento global.

A mobilização anual de 84 mil milhões de euros até 2020 para os países em desenvolvimento e a conversão do Fundo Verde para o Clima num instrumento “eficaz e flexível” são condições para que haja confiança e se ganhe o combate, salientou António Guterres, observando que “as alterações climáticas movem-se muito mais depressa do que nós”.

“Essas condições são indispensáveis para que a confiança reine entre os países desenvolvidos e em vias de desenvolvimento”, argumentou, frisando que o capital privado tem um papel primordial para colmatar a ação dos estados, que só por si é insuficiente.

Falando perante representantes de 127 países, Guterres apontou que as emissões de dióxido de carbono aumentaram em 2017 pela primeira vez em três anos e recordou que os cinco anos mais recentes foram os mais quentes desde que há registos.

“Estamos a travar uma guerra pela existência tal como a conhecemos no nosso planeta, mas temos um aliado importante: a ciência e a tecnologia”, afirmou o secretário-geral da ONU, saudando as cidades e regiões do mundo, que com “milhares de empresas privadas” estão a tomar medidas contra o aquecimento global.

Guterres salientou as virtudes dos “negócios verdes” e apontou o setor financeiro como um fator decisivo para conseguir travar o aquecimento global que precisa de ser chamado a trabalhar em benefício das pessoas e do planeta.

“Não é preciso esperarmos que se acabe o carvão e o petróleo para deixarmos de usar combustíveis fósseis. Precisamos de inverter o futuro, não o passado”, declarou.

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