Um júri de Nova Iorque declarou esta segunda-feira o ex-produtor de cinema Harvey Weinstein culpado de agressão sexual e violação de duas mulheres, mas absolveu-o da acusação de comportamento sexual predatório, um veredicto que representa a primeira vitória parcial nos tribunais do movimento #MeToo.

Após quase um mês de julgamento e cinco dias de deliberações, o júri considerou Weinstein culpado de violação em terceiro grau da ex-atriz Jessica Mann em 2013 e de praticar sexo oral com a ex-assistente de produção Mimi Haleyi em 2006.

O ex-produtor de 67 anos não foi considerado culpado das duas acusações de comportamento sexual predatório e de violação em primeiro grau, crimes mais graves dos quais era acusado.

Se for confirmada a condenação, a pena por ato sexual criminal em primeiro grau é entre cinco e 25 anos de prisão, enquanto o crime de violação em terceiro grau implica uma pena até cinco anos de prisão.

Harvey Weinstein, 67 anos, estava acusado de cinco crimes ocorridos entre 2006 e 2013, entre os quais agressão sexual e violação em primeiro e terceiro graus, a partir de testemunhos de cerca de uma centena de mulheres, embora o caso assente sobretudo em denúncias de duas vítimas.

De acordo com a revista Variety, mais de 150 jornalistas obtiveram autorização para fazer a cobertura do julgamento, tornando-se "num dos maiores espetáculos de que há memória".

Weinstein insistiu na inocência, alegando que todos os atos foram consentidos.

A detenção de Harvey Weinstein aconteceu em maio de 2018, meses depois de o jornal The New York Times e de a revista The New Yorker terem publicado, em outubro de 2017, reportagens a denunciar o escândalo sexual no meio cinematográfico norte-americano.

Foi a partir dessas reportagens que se gerou o movimento coletivo espontâneo de denúncia e partilha #MeToo, de denúncia de casos de abuso, agressão e assédio sexual na indústria do entretenimento.

Entre as mulheres que detalharam casos de propostas sexuais de Harvey Weinstein estão Uma Thurman, Angelina Jolie, Gwyneth Paltrow, Salma Hayek e Lupita N'yongo.

Em dezembro de 2017, as mulheres que denunciaram casos de assédio e abuso sexual, contra Harvey Weinstein e outras pessoas, foram nomeadas "Personalidade do Ano" pela revista norte-americana Time.

O caso mais mediático envolveu o produtor norte-americano Harvey Weinstein, mas surgiram ainda outros relatos de abusos envolvendo, entre outros, os atores Kevin Spacey e Dustin Hoffman, o ex-presidente da Amazon Studios Roy Price, os realizadores Brett Ratner e James Toback, os jornalistas Charlie Rose, Glenn Thrush e Matt Lauer, o fotógrafo Terry Richardson e o comediante norte-americano Louis C.K..

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