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Histórias de vida a bordo do submarino argentino San Juan

Este artigo tem mais de 3 anos
A primeira submarinista da América do Sul, um cabo que planeava casar e um comandante de Tucumán. Estas são algumas histórias da tripulação do submarino ARA San Juan que desapareceu há um ano e que foi localizado a 900 metros de profundidade no Oceano Atlântico.
Histórias de vida a bordo do submarino argentino San Juan

O submarino argentino San Juan, que desapareceu a 15 de novembro de 2017, com 44 tripulantes foi descoberto na sexta-feira no Oceano Atlântico, avançou hoje o comandante da base naval de Mar del Plata.

Foi também a 15 de novembro que o submarino, de fabrico alemão, comunicou pela última vez a sua posição, quando regressava desde o porto austral de Ushuaia à sua base.

Eliana, a mulher de armas

Eliana Krawczyk ambicionava ser engenheira industrial quando uma tragédia familiar a obrigou a seguir outro rumo completamente diferente. As mortes do irmão (num acidente) e da mãe (vítima de um ataque cardíaco) mudaram a sua vida e o futuro passou então pela Escola Naval.

Oriunda de Oberá, uma província de Misiones (nordeste da Argentina), Eliana, aos 21 anos, não tinha grandes conhecimentos sobre o mar — o que não a impediu de, em 2002, se tornar numa submarinista, a primeira na América do Sul.

Com 35 anos de idade na altura do desaparecimento do San Juan, era a chefe de armas do submarino.

Sobre sua vida a bordo, dizia que se sentia à vontade. "Sou a única mulher a bordo e sinto-me bem, contente e feliz", revelaria em entrevista.

Fernández, o comandante

O capitão da fragata Pedro Martín Fernández era o comandante do submarino e tinha 45 anos. Nascido em Tucumán, no norte da Argentina, era casado e tinha três filhos adolescentes.

A 2 de março de 2015 tinha-se mudado para a cidade costeira Mar del Plata, a 40km da capital, para a estação da ARA San Juan, onde quase toda a tripulação residia.

Foi ele quem enviou, no dia 15 de novembro, a última mensagem proveniente do submarino, na qual relatou a entrada de água do mar através do sistema de ventilação da bateria, que estaria na origem de um curto-circuito e consequentemente deu início a um incêndio; no mesmo contacto, porém, averiguaria que a falha havia sido controlada.

Ainda assim, não era o único membro da tripulação que era originário Tucumán. Também havia o cabo Luis Esteban García, então com 31 anos de idade.

Os marinheiros que nunca chegaram ao altar

O primeiro-cabo Luis Niz, de 25 anos, tinha a esperança de levar a sua colega, a primeira-cabo Alejandra Morales, ao altar. O casamento estava marcado para 7 de dezembro de 2017.

Nascido na província de La Pampa, Niz formou-se com mérito em 2016, o que lhe permitiu fazer a transição para o submarino ARA San Juan.

Contudo, não era o único membro com casamento marcado. O tenente Renzo Martin Silva, de 32 anos, também tinha planos para subir ao altar em 2018. Tendo entrado na Academia Naval aos 18 anos, sonhava ser submarinista desde os tempos de infância passados na sua terra natal, precisamente em San Juan, uma província situada na Cordilheira de os Andes.

Renzo morava com María Eugenia Ulivarri Rodi, que, tal como ele, era militar.

O «Papá» Fernando

Fernando Santilli, então com 35 anos, era submarinista desde 2010. Engenheiro de profissão, deixou a sua cidade natal Mendoza muito jovem à procura do sonho de se tornar mergulhador.

Stefano, um dos seus filhos, aprendeu a dizer «papa» enquanto Santilli estava desaparecido em alto-mar, segundo contou a sua esposa Jessica Gopar. "Não nos deixem sozinhos", implorou Gopar aos órgãos de comunicação quando perdeu a esperança de encontrar o seu "primeiro amor" vivo.

"Foi o meu grande amor. Namorámos sete anos, [estivemos] seis casados e temos um filho, Stefano, que Deus nos enviou", explicou.

A última vez que se viram foi no dia 17 de outubro de 2017, antes de Fernando embarcar na viagem que terminou em Ushuaia, 3.200 km de distância a sul. 

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