"O Sínodo terá que indicar caminhos e soluções e não apenas denunciar o mal [que afeta a Amazónia]. Estou confiante de que será encontrado um caminho, porque estamos a falar de uma questão que é uma crise global, uma crise séria e urgente, como dizem os cientistas, e é necessário fazê-lo hoje, porque depois será tarde demais ", disse hoje o cardeal Claudio Hummes, relator-geral da assembleia, principal responsável pela redação dos documentos que sairão do evento.

Hummes falava na apresentação pelo Vaticano desta assembleia de bispos, na qual também participarão cerca de 80 líderes indígenas e especialistas, e defendeu que a Igreja Católica faz parte da "história e identidade" da Amazónia porque está na região há quatro séculos.

Algumas das críticas mais duras à celebração deste Sínodo surgiram do Governo brasileiro liderado por Jair Bolsonaro, que considera ser uma interferência na soberania do país.

O cardeal brasileiro disse que a soberania dos países é respeitada, e que já foi explicado em várias reuniões com o Governo brasileiro que a Igreja Católica tem "uma experiência diferente das outras instituições".

"Estamos lá e temos uma experiência real na Amazónia", reiterou.

No seu discurso, o cardeal Claudio Hummes explicou que o Sínodo falará sobre a crise climática, a crise ecológica resultante da degradação, poluição, depredação e devastação do planeta, especialmente na Amazónia, e da crescente crise social e da pobreza que na região afeta especialmente os povos indígenas, ribeirinhos, pequenos agricultores e aqueles que vivem nos arredores das cidades amazónicas.

Segundo o secretário-geral do Sínodo, o cardeal Lorenzo Baldisseri, neste fórum estará presente "toda a Igreja, que mostra a sua preocupação com a Amazónia: pelas suas dificuldades, problemas, preocupações e desafios".

No sínodo sobre o tema ”Amazónia: novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral” participarão 185 dos padres sinodais, incluindo 113 da região do Panamá-Amazónia, que ocupa um território de nove nações: Guiana Francesa, República Cooperativa da Guiana, Suriname, Venezuela, Colômbia, Equador, Brasil, Bolívia e Peru.

Entre os presentes estão 12 convidados especiais, como o ex-secretário geral da ONU Ban Ki-moon ou o diretor-geral adjunto do Departamento de Clima, Biodiversidade, Terra e Água da FAO, René Castro Salazar.

Participam ainda no sínodo alguns representantes indígenas, como o presidente do Congresso das Organizações Indígenas da Amazónia (Venezuela), José Gregorio Díaz Mirabal; Patricia Gualinga, defensora do povo Kichwa de Sarayaku, uma comunidade na Amazónia equatoriana, ou Tapi Yawalapoti, que representa as 16 tribos do Alto-Xingo, na região de Mato Grosso, no Brasil.

Relativamente às mulheres, o Vaticano indica que um total de 35 participarão nos trabalhos - duas convidadas especiais, quatro especialistas (duas são religiosas) e 29 auditoras, das quais 18 são freiras.

Nenhuma das mulheres terá o direto de voto, facto que já mereceu a contestação de um grupo de religiosas.

Uma associação de mulheres católicas fez hoje uma conferencia de imprensa a exigir o direito de voto no Sínodo, mas cardeal Lorenzo Baldisseri citou os regulamentos da assembleia que limitam o voto apenas aos bispos e a quem o Papa autorizar excecionalmente.

O Sínodo recebeu críticas de alguns representantes do setor mais conservador da Igreja, que consideram até "heresias" algumas das questões que serão abordadas.

Baldisseri pediu para "ouvir e não julgar", especialmente quando as críticas são sobre um documento de trabalho lançado para iniciar o debate e construir o texto final.

"Este não é um documento pontifício ", argumentou.

Uma das questões mais discutidas e que causará maior controvérsia será a ordenação sacerdotal de idosos casados, a fim de garantir os sacramentos na Amazónia.

Baldisseri afirmou que esse é um dos pontos do documento de trabalho - que tem sido uma das propostas das 80.000 pessoas que foram consultadas – que será discutido.

"Na Amazónia, falta a ajuda para os sacramentos, em particular da Eucaristia. O nosso desafio é procurar novas maneiras de levar a Eucaristia a todos os lugares", frisou.

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