“Al-Azhar não tem poupado esforços para tentar mudar a realidade no terreno. Tanto na Nigéria como em Moçambique, Al-Azhar, costuma chamar os imãs para estudarem e tentarem criar uma nova realidade no terreno” quando voltarem, evitando um “diálogo extremista”, contrário aos ensinamentos do Islão, disse Ahmed Mohamed Al-Tayyeb, em entrevista à Lusa.

A Nigéria, Camarões, Tanzânia, República Centro-Africana ou o Níger são alguns dos países onde se têm verificados confrontos sangrentos entre muçulmanos e cristãos, uma situação que tem conduzido à entrada de grupos radicais islâmicos nalguns países, como terá acontecido no norte de Moçambique.

Al-Tayyeb defende que, nestes casos, sejam “aplicadas as leis internacionais para evitar este tipo de massacres de pessoas totalmente inocentes”.

“Porque não podemos formar uma caravana e ir aos sítios” onde existem estas guerras civis de origem religiosas, defendeu Al-Tayyeb, apelando à participação de organizações internacionais no terreno, como a União Europeia, ONU ou Liga dos países árabes.

O principal líder religioso do mundo sunita considera que mesmo as organizações não-governamentais dão pouca atenção a este “campo de batalha” em que o centro de África se transformou nos últimos anos.

“O direito de viver em paz e segurança não deve ser uma das questões principais das organizações que defendem os direitos humanos?” – questionou.

Líder islâmico pede que lei para judeus sefarditas seja alargada aos muçulmanos

O reitor da maior universidade islâmica do mundo defendeu hoje que o Estado português deve dar aos descendentes dos muçulmanos expulsos após a reconquista cristã os mesmos direitos de acesso à nacionalidade que concede aos judeus sefarditas.

Em entrevista à Lusa, Ahmed Mohamed Al-Tayyeb, xeque da universidade de Al-Azhar, no Cairo, defendeu que as facilidades no acesso de cidadania portuguesa concedidas aos descendentes de judeus expulsos de Portugal devem ser estendidas aos muçulmanos que tenham antepassados expulsos do país no passado.

“Os muçulmanos que são descendentes de famílias muçulmanas naquela época também têm o direito de recorrer às entidades para terem os seus direitos”, afirmou o reitor de Al-Azhar, em entrevista à Lusa.

Nos séculos XII, XIII e XIV, muitos muçulmanos e moçárabes foram massacrados ou expulsos da Península Ibérica, no quadro da radicalização religiosa da igreja católica à época, que também conduziu à expulsão dos judeus que continuassem a professar a fé judaica.

Nos últimos anos, Portugal pediu desculpas pela expulsão dos judeus e em março de 2015 publicou um diploma que concede o direito de cidadania aos descendentes dessas famílias.

Um total de 2.160 sefarditas, judeus originários da Península Ibérica expulsos de Portugal no século XVI, adquiriram a nacionalidade portuguesa desde 2016, de acordo com dados do Instituto dos Registos e do Notariado.

Para Al-Tayyeb, “deve haver uma justiça de cidadania independentemente da origem religiosa ou étnica da pessoa em questão”.

Na quinta-feira, o reitor da universidade de Al-Azhar, no Cairo, a maior referência normativa do islamismo sunita, reuniu-se com o Presidente da República e com vários governantes portugueses.

Elogiando os encontros, o reitor acredita que o Estado português irá alargar o alcance da legislação.

“A minha opinião é que tem de ser igual para a todos. A cidadania é baseada num contrato social que não reconhece descriminação de qualquer tipo”, disse.

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