Em novembro de 2016, a extensão de gelo do Ártico era de 9,08 milhões de quilómetros quadrados, a menor alguma vez registada nesta altura do ano, menos 800.000 quilómetros quadrados do que em 2006, ano em que se registou o maior recuo antes do atual, e menos 1,95 milhões de quilómetros quadrados face à média entre 1981 e 2010. A análise é efetuada pelo Centro Nacional de Neve e Gelo norte-americano (NSIDC, na sigla inglesa).

Este ano está a ser excecionalmente quente no Ártico. A temperatura do ar registada este mês esteve acima da média registada entre 1981 e 2010 em todo o oceano ártico, e 10 graus Celsius acima do habitual para esta altura ano junto ao Polo Norte. A isto juntam-se ventos de sul e temperaturas mais elevadas do mar. 

Já na Antártida, o gelo atingiu a sua extensão máxima a 31 de agosto, muito antes do que é normal e tem vindo a recuar desde então, atingindo um novo mínimo recorde em novembro face aos períodos homólogos.

A extensão média da Antártida em novembro foi de 14,54 milhões de quilómetros quadrados, menos um milhão de quilómetros quadrados face ao último mínimo histórico, registado em 1986, e menos 1,81 milhões de quilómetros quadrados do que a média registada entre 1981 e 2010. A justificar este declínio estão temperaturas do ar 2 a 4 graus Celsius acima do habitual no final de outubro e início de novembro.

Em resultado destes fenómenos, a extensão global de gelo em novembro está muito abaixo da média para esta altura do ano.

Se somarmos a diferença entre a extensão média e a registada este ano (1,95 milhões de quilómetros quadrados a menos no Ártico e 1,81 milhões de quilómetros quadrados a menos na Antártida), estamos a olhar para uma extensão de gelo superior à área geográfica da Índia.

Ou seja, o mundo registou em novembro deste ano menos “uma Índia de gelo”. De referir que 2016 pode vir a ser o ano mais quente de que há registo.

No entanto, alerta a NSIDC, a evolução nos dois hemisférios é resultado de geografias e de processos oceânicos e atmosféricos distintos, sendo “pouco provável” que “estes recordes mínimos nos dois hemisférios” estejam relacionados.

Em novembro, a tendência é de que o gelo no Ártico aumente, enquanto a Antártida recua. No seu conjunto, a formação de gelo na Antártida aumentou ligeiramente nas últimas quatro décadas, mas isso não aconteceu nos dois últimos invernos austrais, tendo a extensão de gelo ficado dentro da média ou abaixo para a época.

Os cientistas mostram-se preocupados com estes fenómenos. “Está algo de muito estranho a acontecer”, diz Mark Serreze, diretor do NSIDC, salientando que em alguns dias de novembro a temperatura em determinadas zonas do Ártico esteve 20 graus Celsius acima do que é normal para esta altura do ano. O responsável explicou ainda que o receio dos investigadores é de que e degelo na Antártida contribua para aumentar rapidamente a subida do nível do mar.

De referir que o período de 2011 a 2015 foi o conjunto de cinco anos mais quente desde que há registo, com 2014 e 2015 a serem os anos mais quentes de todos até ao momento. No entanto, segundo a OMM, organização do universo das Nações Unidas, 2016 pode mesmo bater 2014 e 2015.

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