“Os municípios têm procurado lançar concursos e, através dos concursos, executar obras, mas há imensos concursos que têm ficado vazios, porque não há, nem mão-de-obra, nem empresas a concorrer”, afirmou o presidente da ANEFA, Pedro Serra Ramos, prevendo que o prazo para as câmaras municipais assegurarem todos os trabalhos de limpeza de terrenos, que termina hoje, “não vai ser cumprido”.

Em comparação com 2018, este ano, “em termos de procura, é capaz de ter aumentado, em termos de oferta, nem por isso, porque as empresas continuam muito renitentes em aumentar a sua capacidade sem que haja depois uma garantia de continuidade”, indicou Pedro Serra Ramos.

Entre as razões apontadas para não se investir no aumento da oferta, o responsável da ANEFA destacou a falta de perspetiva de futuro, referindo que as empresas “estiveram muitos anos sem trabalho e não têm essa capacidade financeira”, além de que “não há uma garantia de trabalho, em termos de aumento de recursos”.

“As pessoas que possuem os terrenos nas zonas periurbanas não vão ter capacidade financeira para continuarem a fazer este esquema de limpeza todos os anos e muito menos terão se os multarem”, declarou o representante das empresas florestais, defendendo que a aplicação de multas por falta de limpeza de terrenos “não é uma solução”, pelo que se deve alterar a atual legislação.

Sobre o aumento da procura de empresas para limpeza de terrenos, dinâmica que se mantém desde 2018, Pedro Serra Ramos disse que este ano é “muito mais por parte dos municípios do que por parte dos privados”, acrescentando que existem registadas cerca de 2.000 empresas na área da silvicultura, que podem assegurar a limpeza de terrenos.

“Do ponto de vista do particular, este ano já houve muito menos capacidade financeira para se fazer limpezas, relativamente ao ano passado”, apurou o presidente da ANEFA, explicando que há trabalhos de limpeza de terrenos que custam entre 350 e 400 euros e outros na ordem dos 2.000 euros e acima dos 4.000 euros, quando se trata de abrir estradas.

Em relação à dinâmica de preços, que registou um aumento em 2018, devido ao crescimento da procura, este ano mantém-se nos mesmos valores, com um padrão “uniforme” em todo o país, “porque grande parte destas empresas trabalham a nível nacional”.

Considerando que o setor florestal está “completamente abandonado”, o representante das empresas florestais manifestou-se contra a atual forma de gestão florestal, nomeadamente a ideia de que tal se faz “limpando só as faixas à volta das casas”, propondo que se encontre “uma solução que permita ao produtor florestal rentabilizar os seus espaços e, a partir daí, investir nele”.

“Estamos a tratar de um problema de desordenamento urbano e que está associado a um problema de proteção civil, portanto nada disto tem a ver com floresta, porque o produtor florestal, em si, só perde dinheiro com este tipo de ações e a floresta não ganha nada com este tipo de ações”, defendeu Pedro Serra Ramos, reforçando que a criação de faixas em torno das zonas urbanas “é um problema de desordenamento urbano e não um problema de desordenamento florestal”.

Na perspetiva do dirigente da ANEFA, a responsabilidade pelo desordenamento urbano “é, claramente, dos municípios que, ao longo dos anos, foram permitindo que se fosse construído onde menos se esperava”, nos espaços florestais.

“É incompreensível que se esteja apenas a olhar para a floresta do ponto de vista dos fogos. A floresta não tem nada a ver com os fogos. Continuamos a ouvir os responsáveis da Proteção Civil a falar em fogos florestais quando os fogos são rurais, não são florestais", lamentou o responsável, reclamando que é preciso “desmistificar esta situação de que a floresta é como se fosse um conjunto de fósforos levantados ao alto à espera que alguém lhes chegue o fogo”.

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