Patrícia Alexandre, do Centro de Estudos Florestais do Instituto Superior de Agronomia, disse à agência Lusa que "a intenção do governo é boa" mas deixou os proprietários "zangados, super baralhados, a cortar árvores inteiras".

"O principal problema em relação ao que o governo português fez foi a falta de informação atempada e localizada", afirma Patrícia Alexandre, que foi uma das coautoras de um relatório sobre a destruição de habitações nos fogos florestais e programas de sensibilização nos Estados Unidos.

Nas conclusões do estudo, destaca-se que "reduzir combustíveis não significa necessariamente remover tudo".

"Significa remover arbustos e ervas que podem servir de pontos de acesso do fogo às propriedades", afirma a investigadora, que lamenta que haja proprietários "frustrados e contrariados" por terem que fazer algo que é, no fundo, necessário para a sua segurança e das suas casas.

Além de educar sobre como limpar os terrenos, Patrícia Alexandre defende que falta informação sobre como usar e conviver com o fogo, sobre queimadas em segurança, para as quais se devem ter em conta as condições meteorológicas e não apenas os prazos definidos na lei para a realização de queimadas.

Com a limpeza dos terrenos em volta das casas "não se pára, mas abranda-se a progressão do fogo", referiu.

O foco da limpeza não devem ser tanto as árvores, mas os arbustos e ervas que estão por baixo delas, "para que o fogo não 'salte' do chão para a árvore".

Durante o doutoramento que fez na universidade de Wisconsin, Patrícia Alexandre recolheu dados sobre campanhas de sensibilização nos Estados Unidos e verificou que são eficazes, mas quando feitas na antecipação e não na reação à ocorrência de incêndios.

O que fez diminuir o risco de o fogo consumir edifícios foi a limpeza de material combustível em torno das casas, aliada à utilização de materiais mais resistentes ao fogo na construção e informação sobre o que fazer em caso de incêndio.

O estudo, publicado no boletim International Journal of Wildland Fire, tem a coautoria da norte-americana Anu Kramer.

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