"Parece que querem correr com a gente, que querem que as pessoas saiam do interior do país", desabafa Jorge Marques, artista plástico que trocou este ano Lisboa pela aldeia de Orvalho, à procura de calma e de uma maior proximidade com a natureza.

Por volta das 14:00, estava sentado num dos cafés da localidade, quando avistou as chamas no cimo de uma das colinas "a descerem rapidamente" até à aldeia.

Tirou botijas de gás da sua casa e algum material mais caro, com medo que o fogo fosse entrar pela "aldeia dentro".

"As pessoas iam apagando os focos onde surgiam. Até no centro de Orvalho o fogo pegou numa oliveira", disse à agência Lusa o artista plástico, de 60 anos.

Ilídio Pedro, de 78 anos, andou com uma mangueira "quase sem pressão" a acudir perto de casas de outros, sendo depois surpreendido com o fogo "na parte detrás" da sua própria habitação.

"As fagulhas iam aparecendo e nós tentávamos apagar. Foi terrível", conta o habitante, que depois de se reformar decidiu regressar à aldeia de onde é natural.

"A noite passada não dormi nada", sublinha João Rafael, com a cara suja e olhos que parecem cansados.

Durante a tarde de hoje, andou a ajudar o seu irmão para que "não perdesse a casa".

"Foram horas horríveis. Já fui bombeiro e nunca vi um [fogo] como este", realça.

Também Carlos Armindo Silveira andou a noite toda de quarta-feira "na rua", que a possibilidade de o fogo chegar a Orvalho não o deixou descansar.

Esteve 28 anos em Lisboa e optou por regressar à sua terra para uma "reforma calma e tranquila".

O reformado, que repete por várias vezes que durante o dia "foi muito complicado", considera que as pessoas mais novas, possivelmente, vão seguir o mesmo rumo que tomou quando se mudou para Lisboa.

"O fogo ajuda a empurrar as pessoas para fora daqui", constata.

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