O deputado único da Iniciativa Liberal, João Cotrim Figueiredo, que chegou ao parlamento pela primeira vez nas últimas eleições, estreou-se hoje nas intervenções no hemiciclo com uma pergunta ao primeiro-ministro, António Costa, durante a apresentação do Programa do XXII Governo Constitucional, no parlamento, que considerou ser "mais do mesmo" e não ter rasgo nem ambição.

"O PS não aprende porque não quer aprender. Sabe que mantendo um país um país amorfo e resignado, tem sempre um grupo de pobres, de desesperados, de dependentes do estado que lhe irão dar o voto. A pobreza de muitos é aquilo que segura o PS no poder", acusou.

Segundo Cotrim Figueiredo "como o PS não existe para mais do que para estar no poder, nunca irá resolver o problema da pobreza que permite manter-se lá".

Na resposta, António Costa assumiu "um estado de espírito ambivalente" entre uma "enorme alegria" pela riqueza da democracia permitir que o partido liberal tenha chegado ao parlamento e a desilusão.

"Infelizmente, e é isso que torna o meu sentimento um pouco ambivalente, é que hoje fiquei desiludido porque o esperava ouvir dizer não só que não concorda com o nosso programa, mas alguma coisinha, um única ideia diferente e nova que tivesse para o país", criticou.

O primeiro-ministro assumiu ainda que ficou "um pouco dividido" entre a satisfação de ver as diferenças entre as ideias socialistas e liberais e constatação do "ponto da diferença" em relação aos motivos da pobreza em Portugal.

"Penso que não tomará a iniciativa de propor a reposição do voto censitário para que quem menos tem não tenha ao menos a capacidade de eleger tantos deputados nesta Assembleia da República como aqueles que o elegeram a si", ripostou Costa.

Cotrim Figueiredo tinha começado a sua intervenção por assumir que deveria "ser com grande alegria" que estava pela primeira vez a discursar no parlamento.

"Essa alegria não resistiu à leitura do programa do governo. Olhamos para aquele programa, olhamos à volta para as pessoas e para as ideias e nada há de novo, nada há que nos alegre Tudo o que encontramos é uma diferença enorme entre aquilo que o pais precisa e aquilo que este Governo quer fazer", lamentou.

O novo deputado fez questão de dizer a António Costa que nos múltiplos roteiros que o primeiro-ministro citou faltou alguns, como por exemplo um para responder às "centenas de pessoas que agonizam em listas de espera quando o Governo o que quer é impedir as pessoas de usar prestadores privados de saúde por meros motivos ideológicos" ou então um "para que um país onde nascem muito poucas crianças consiga não ter um Governo que só nomeou 13 pediatras para os centros de saúde enquanto arranjou 50 secretários de Estado".

"Falta um roteiro que resolva de vez o problema da corrupção, mas temos um Governo que está mais emprenhado em impedir que os seus camaradas sejam condenados do que acabar verdadeiramente com este fenómeno", afirmou, ouvindo-se um burburinho na sala.

No início da resposta, Costa tinha deixado claro ser "muito bom que esteja aqui alguém que se diga assumidamente liberal porque já estamos um bocado cansados daqueles que são envergonhadamente liberais e se vão disfarçando como sendo sociais-democratas".

"Finalmente o PSD tem alguém autenticamente liberal em que se pode rever na Assembleia da República", ironizou.

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