Carlos Santos Ferreira falava na II Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) à Recapitalização da Caixa Geral de Depósitos (CGD) e à Gestão do Banco que ouviu esta terça-feira dois antigos presidentes do banco público: António de Sousa (presidente do banco entre 2000 e 2004) e Carlos Santos Ferreira (entre 2005-2008).

"Eu e o engenheiro José Sócrates não somos visita de casa um do outro, hoje não temos relação, na altura da Caixa tínhamos a relação normal entre dois membros do mesmo partido, mas sem sermos visitas de casa, nunca falei com ele sobre este convite da Caixa", afirmou Santos Ferreira.

O antigo presidente do banco público pediu que as suas palavras não sejam vistas como um modo de "fazer piorar a situação" de José Sócrates, que considerou "extremamente complicada e delicada".

Santos Ferreira disse que com quem falava regularmente no Governo era com o ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, e com o secretário de Estado da tutela.

Afirmou ainda que quando foi convidado para liderar a CGD não sabia que Armando Vara e Francisco Bandeira iam também fazer parte da administração, referindo que então não conhecia Bandeira e que conhecia Vara, mas não o via há cerca de 20 anos.

Com o ministro das Finanças, indicou, não discutia com créditos e, quando o tema foi o investimento na La Seda Barcelona, o que quis saber era se aquele projeto fazia "sentido para este país [Portugal]", vincando que nunca falava sobre investimentos em específico.

"Para mim era claramente um projeto de interesse nacional, foi-me referido que se fosse apresentado com pés e cabeça podia ser candidato a um daqueles PIN [projetos de potencial interesse nacional]", afirmou Santos Ferreira.

Já sobre o empreendimento de Vale do Lobo, Santos Ferreira respondeu que não foi Armando Vara que lhe deu a conhecer o projeto e que o normal, se a operação não tivesse algum problema, era ter acesso às propostas de crédito na véspera da reunião em que seriam discutidas e eventualmente aprovadas.

Segundo o ex-gestor foi isso que aconteceu uma vez que não houve qualquer aviso de que se tratava de uma operação anormal.

“Não tive esse aviso relativamente a Vale do Lobo, nem devia ter. Não conheço pessoas de Vale do Lobo, só Horta e Costa dos tempos em que era administrador da EDP, nunca fui a Vale do Lobo, não aceitei convites, porque eu sou antissocial, não vou a lado nenhum”, disse.

“É obvio que não é um momento bom da história da Caixa”, disse Santos Ferreira, sobre o financiamento a Vale do Lobo.

Sobre se falou com Armando Vara sobre este empréstimo, Santos Ferreira indicou que não se lembra.

O relatório da EY, que deu origem à atual comissão parlamentar de inquérito ao banco público, analisa concessões de crédito que acarretaram elevadas perdas para a CGD, vários dos quais durante a presidência de Santos Ferreira, de 2005 a 2008.

Em janeiro deste ano foi conhecida a versão preliminar da auditoria da EY à gestão da CGD, em que são apontados problemas de concessão de créditos mal fundamentada, atribuição de bónus aos gestores com resultados negativos, interferência do Estado e ineficiências na gestão de risco.

Nesse documento divulgado pela comentadora Joana Amaral Dias a consultora avaliou sete operações de concessão de crédito com risco grave ou elevado e, só nestas, estimou perdas de mais de 1.000 milhões de euros, estando à cabeça as operações de financiamento da fábrica da La Seda, em Sines.

Ainda entre as operações com perdas elevadas estão empréstimos à Investifino (de Manuel Fino), para compra de ações da Cimpor dando ações do BCP e da Cimpor como garantia, Fundação Berardo, Auto-Estradas Douro Litoral e Vale do Lobo Resort.

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