A informação foi hoje revelada pelo administrador do IPO de Lisboa, Francisco Ramos, que admitiu que há dificuldades em realizar “no melhor prazo” mamografias de seguimento a mulheres que estão há mais de cinco anos sem a doença e que devem realizar um exame anual.

“Estamos com seis meses de atraso para as mamografias das mulheres que tiveram o seu diagnóstico há mais de cinco anos. Estamos a tentar organizar as equipas para aumentar essa capacidade. E para resolver de forma mais rápida esse acumulado de atrasos, vamos temporariamente comprar serviços ao exterior e com isso reduzir de forma rápida esse atraso”, afirmou Francisco Ramos aos jornalistas.

O esclarecimento do administrador do IPO foi prestado na sequência de uma notícia do Diário de Notícias de hoje que dava conta de atrasos nas mamografias de mulheres

Francisco Ramos espera que já durante o próximo mês seja possível começar a encaminhar para privados algumas mulheres para estas mamografias, que devem abranger cerca de 400 casos.

O responsável entende que as mulheres não têm razões para estar preocupadas, sublinhando que o IPO continua a responsabilizar-se e a acompanhar “todos os seus doentes em todas as fases da doença” e no acompanhamento do pós-doença.

Mesmo em relação às mamografias anuais após os cinco anos de sucesso de tratamento da doença, o IPO de Lisboa continua a garantir os exames, embora reconheça os atrasos.

Sublinhando que os casos de cancro têm aumentado todos os anos, Francisco Ramos nota ainda que o IPO está a trabalhar para aumentar a sua capacidade para efetuar mamografias e reduzir os tempos de espera, reorganizando as equipas.

Mas, dentro de dois ou três anos, o administrador assume que é provável que o IPO tenha de comprar um novo equipamento para ter capacidade de responder a toda a procura.

O IPO de Lisboa realiza “milhares de mamografias por mês” e tem, por norma, “capacidade de fazer todos os seus exames de diagnóstico e terapêutica”, segundo o responsável.

Os atrasos registados devem-se fundamentalmente ao aumento do número de doentes. Francisco Ramos indica que todos os anos aparecem entre 1.000 a 1.200 novos casos de cancro da mama e que 80% a 85 % sobrevivem ao fim de cinco anos, continuando a precisar de monitorização.

“Todos os anos temos 800 a 900 novas mulheres que atingem os cinco anos de tratamento e precisam de fazer mamografia anual”, nota.

A prioridade clínica tem sido realizar exames para doentes no início dos seus tratamentos, para verificar a evolução da doença.

Tendo em conta o aumento de doentes sobreviventes e com necessidade de acompanhamento, o IPO tem ainda em curso um projeto que pretende fazer com que as mulheres que ao fim de cinco anos não têm sintomas passem a ser seguidas nos centros de saúde, sempre em articulação com o IPO.

“Não é uma decisão administrativa. É um trabalho técnico e clínico”, assegurou.

O IPO de Lisboa recebe mais de seis mil novos doentes com cancro e mantém em seguimento 57 mil pessoas. Dos seis mil novos casos, mais de mil são mulheres com cancro da mama.

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