Soltar o nosso peixe num rio pode parecer um ato de amor. Libertá-lo das amarras dos aquários das lojas e das casas e devolvê-lo à natureza. Parece ser algo inofensivo, à partida. Na realidade não é, e pode causar grandes danos num ecossistema selvagem.

Um grupo de investigadores do Centre of Fish and Fisheries, da Universidade de Murdoch, têm tentado controlar o peixe-dourado - o típico peixe de estimação - no Vasse, um rio no sudoeste da Austrália.

Stephen Beatty, uma das investigadoras, contou ao Mashable Austrália que o estudo foi feito por causa do aumento de peixes de aquário encontrados no Vasse, nos últimos 15 anos.

As pessoas, com o passar dos anos, foram soltando vários dos seus peixes nos cursos de água locais. O que as pessoas não sabiam é que estavam a libertar uma espécie invasiva naquelas águas.

O peixe-dourado é uma espécie que desequilibra o ecossistema do Vasse. Tudo porque, em águas selvagens, a alimentação desta espécie torna-se omnívora. Eles acabam por comer os ovos de outros peixes do rio, soltam sedimentos e arrancam vegetação; acabando também por afetar a qualidade da água.

Torna-se assim numa espécie intrusiva que compete por espaço e recursos com os outros peixes do rio. Apesar disso, foi feita uma importante descoberta: eles reproduzem-se em pantanais. Tal conhecimento vai permitir que, no futuro, se criem armadilhas em cursos de água para que se retirem estas espécies dos rios.

No entanto, nada consegue ser mais surpreendente do que o tamanho a que um peixe-dourado pode chegar. Tem na cabeça a imagem do seu pequeno peixinho dourado dentro de um aquário? Esqueça. Este grupo de investigadores encontrou um com quase dois quilos (1,9 kg). E quantas voltas acha que o seu peixinho dá por dia ao aquário? Seja quantas for, estará certamente longe dos 230 km que um dos peixes dourados encontrados no rio australiano tinha feito num ano.

Beatty deixa ainda um recado: “Se as pessoas têm animais que não querem, vão às lojas de animais saber se o aceitam de volta. Em relação aos peixes, se a opção é a eutanásia, então coloquem-no no congelador, é a forma mais humana de o fazer”.

Para a investigadora, as pessoas não têm noção do dano que a libertação de um simples peixe-dourado pode causar. “É óbvio que nem todos os peixes que soltamos formam uma população”, mas Beatty diz que se tem defrontado cada vez mais vezes com situações idênticas.

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