A mudança da lei, que dá às autarquias envolvidas o direito a vetar o avanço do projeto, defendida pelo ministro das Infraestruturas, é “um fato à medida dos interesses da ANA e da Vinci”, empresa responsável pelo aeroporto, afirmou Jerónimo de Sousa aos jornalistas, à margem de um encontro sobre ferrovia e transportes, em Lisboa.

“O erro de fundo é o aeroporto [ser] no Montijo”, disse, recordando que o PCP “sempre” defendeu a opção de construir o novo aeroporto no Campo de Tiro de Alcochete, também no distrito de Setúbal, em resposta à questão de saber se este processo poderá ou não adiar mais alguns anos uma decisão sobre o projeto.

Para o líder comunista, “deve-se cumprir a lei em vigor”, depois de lembrar que foi em 2007 um governo do PS a aprovar o “respetivo decreto, que está em vigor”.

E afirmou-se surpreendido por ser agora um Governo socialista vir “agora com uma teorização” quanto ao diploma que permite um “posicionamento das autarquias em relação ao seu território” e que permite “um parecer à matéria de facto”.

Segundo o secretário-geral do PCP, é um “processo discutível” de, “perante uma resistência ou uma dificuldade”, como aconteceu com as câmaras do Seixal e Moita, da CDU, que são contra o avanço do projeto, vir agora dizer “altere-se a lei”.

“É um mau caminho que o PS e o Governo está a fazer”, concluiu.

Quanto à acusação do PS de Setúbal, distrito onde fica o Montijo, de que o PCP é uma “força de bloqueio”, uma expressão usada nos tempos de maioria absoluta do PSD de Cavaco Silva, Jerónimo de Sousa sorri e aponta contradições aos socialistas.

“Estamos a defender um decreto do Governo do PS. Afinal a força de bloqueio é o PS, que já está contra a sua própria lei”, afirmou, com ironia.

Na intervenção que fez sobre transporte ferroviário, Jerónimo de Sousa criticou "o encerramento em 2003/2005 da Sorefame" - "fábrica nacional de material circulante" - por ter sido "um crime cometido contra a economia nacional" da responsabilidade do "PS, PSD e CDS".

O líder dos comunistas defendeu, pelo contrário, que deve ser avaliada a "possibilidade de o país voltar a contar com uma empresa pública dedicada à produção de composições ferroviárias".

E sublinhou que o PCOP entregou, no parlamento, um projeto de lei para "reverter a opção errada de fundir a fusão da Estradas de Portugal com a REFER", na origem da atual Infraestruturas de Portugal - IP", abrindo a porta à "reintegração da REFER na CP" e à reconsrução de "um setor ferroviário público, uno e nacional".

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