À saída de uma iniciativa sobre segurança nacional na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, Marcelo Rebelo de Sousa foi questionado sobre a morte de dezenas de palestinianos hoje na Faixa de Gaza pelas forças israelitas, durante manifestações contra a inauguração da nova embaixada dos EUA em Jerusalém.

O chefe de Estado disse ter conhecimento da situação em Gaza, mas não quis comentá-la diretamente: "Pois, eu sei, eu sei. Não queria pronunciar-me sobre isso".

O Presidente da República preferiu recordar "a posição de Portugal" – que, salientou, "é igual à posição da União Europeia" – face ao reconhecimento pelos EUA de Jerusalém como capital de Israel: "É de não acompanhar a iniciativa americana relativamente a ver a perspetiva de uma ótica essencialmente de um Estado e não de dois".

Marcelo Rebelo de Sousa acrescentou que o Estado português "mantém essa posição, que é de entender que tudo o que contribua para o diálogo é bom, tudo aquilo que, sendo uma conduta unilateral, não contribua para o diálogo, isto é, para esse objetivo de haver dois povos e dois Estados, é negativo".

"Não facilita o caminho para a paz, cria tensão que dificulta esse caminho para a paz", reforçou.

Antes, contudo, o Presidente da República considerou que há que separar estes acontecimentos dos 70 anos de existência do Estado de Israel, que hoje se assinalam.

"É uma razão para cumprimentar Israel, uma vez que a posição portuguesa é da existência de dois Estados, com Jerusalém como capital desses dois Estados. E, portanto, essa é uma razão de cumprimento", afirmou.

À saída da Universidade de Lisboa, o chefe de Estado foi também interrogado sobre a visita do ministro da Defesa, José Azeredo Lopes, a Angola, onde foi hoje recebido pelo Presidente angolano, João Lourenço.

Questionado se vê nesse encontro um bom sinal, respondeu: "Sabem que eu, sobre isso, nunca tive grandes estados de alma. Tive sempre uma posição muito serena, que é a de entender que o que tem de ser tem muita força".

"E o que tem de ser é, realmente, uma amizade, uma fraternidade e uma conjugação de esforços", completou, reiterando uma mensagem que tem repetido sempre que fala das relações luso-angolanas.

No seu entender, "depois, os factos vêm por si, é o que porventura está a acontecer".

Em dezembro, quando foi noticiada a decisão dos EUA de reconhecer Jerusalém como capital de Israel, Marcelo Rebelo de Sousa expressou preocupação com "gestos que possam ser considerados contraproducentes para o clima de diálogo" no Próximo e no Médio Oriente.

O Presidente da República subscreveu a posição manifestada pelo Governo português de não acompanhar a decisão da administração norte-americana chefiada por Donald Trump e disse que "os primeiros sinais de reação mostram que, de facto, o gesto não contribuiu para um clima e processo de paz, teve efeito contraproducente, contrário".

Em abril deste ano, durante uma visita ao Egito, frisou que Portugal não irá mudar a sua embaixada para Jerusalém, defendendo que "tem que ser aceite um Estado Palestiniano com capital em Jerusalém" e condenou "tudo o que unilateralmente crie problemas".