“Muito provavelmente vamos ser taxados com o adicional do IMI”, conta João Oliveira ao SAPO24, uma semana depois de ter saído o artigo do Expresso que ‘colocou a nu’ o património imobiliário do mais antigo partido português. Ao todo são 329 propriedades, que no seu total estão avaliadas em mais de 13,5 milhões de euros.

O espólio tem de tudo, desde terrenos agrícolas a prédios, incluindo uma rua inteira em Lisboa, na zona do Beato. O semanário português revelou que a gestão do património imobiliário tem sido, pelo menos desde 2012, uma das maiores fontes de rendimento do PCP. Só em 2012 fizeram mais de 600 mil euros, um valor que contempla vendas e arrendamentos.

Para o líder da bancada parlamentar isso não é qualquer embaraço, pelo contrário: Se recolhemos menos quotas, se recolhemos menos meios financeiros, se temos mais dificuldades em obter, do ponto de vista monetário, os contributos que necessitamos para a nossa atividade, temos que fazer uma gestão do património que ultrapassa essas dificuldades e essa deficiência. Mas isso não é coisa que nos envergonhe, pelo contrário”.

O que o artigo vem também revelar é que o PCP poderá vir a estar sujeito ao novo imposto adicional ao IMI, que os próprios comunistas votaram a favor na Assembleia da República.

O valor está longe de ser conhecido, mas João Oliveira confirma que provavelmente será taxado, revelando que, no fundo, isso mostra, nada mais, nada menos, que um grande sentido de justiça do PCP. “Nós defendemos aquilo que é justo, mesmo quando isso nos pode prejudicar do ponto de vista mais imediato”.

A verdade é que esta situação poderá vir a agravar as contas do partido que nos últimos quatro anos teve um prejuízo médio anual de 1 milhão e 82 mil euros.

A deputada comunista, e funcionária do partido, Rita Rato, ao SAPO24, diz que “mais nenhum partido deste país se pode orgulhar deste património”, reafirmando o seu agrado em pertencer a “um partido que no desenvolvimento do seu trabalho e da sua ação depende exclusivamente dos militantes”, mesmo reconhecendo que tal obriga a “uma gestão muito difícil”.

João Oliveira bate-se pelo mesmo. Ao lado de Jerónimo de Sousa, rejeita que o PCP seja um “grande proprietário”, rótulo que surgiu depois de o partido ter comprado a Quinta do Cabo para alargar o terreno da festa do Avante!. Para o deputado comunista, “o PCP define as condições, os meios e o património de que necessita para a sua intervenção política sem depender de grupos económicos, nem de interesses económicos”. “Ao contrário de outros partidos”, sublinha o líder da bancada parlamentar do PCP no Parlamento, “provamos que é possível os partidos não dependerem nem do Estado nem dos interesses económicos para se financiarem e para financiarem a sua atividade”.

No final de contas, o prejuízo parece cair para segundo plano, assim como o possível impacto que a sobretaxa do IMI pode ter no partido, porque, diz João Oliveira “só com essa independência financeira é possível assegurar a independência política e ideológica”.

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