"Registou-se a total ausência de BTEX [benzeno, tolueno, etilbenzeno, xilenos] e de compostos orgânicos voláteis em todos os pontos analisados, confirmando o decréscimo que se vinha verificando nas últimas campanhas. Observou-se uma diminuição dos PAH [Hidrocarbonetos Aromáticos Policíclicos] relativamente às últimas campanhas nos pontos fora do Site 3001 [Porta de Armas]", pode ler-se no relatório, divulgado hoje pelo Governo Regional dos Açores.

O documento apresenta a análise e o acompanhamento dos "trabalhos de reabilitação para melhoria da situação ambiental envolvente aos furos de abastecimento de água do concelho da Praia da Vitória".

Em causa está a contaminação de solos e aquíferos na Praia da Vitória, na ilha Terceira, provocada pela Força Aérea norte-americana na base das Lajes, identificada em 2005 pelos próprios norte-americanos e confirmada, em 2009, pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), que monitoriza desde 2012 o processo de descontaminação.

O LNEC analisou dois locais intervencionados pelos norte-americanos - a Porta de Armas e o parque de combustíveis South Tank Farm -, bem como os furos de abastecimento de água mais próximos dessas zonas.

Na área da Porta de Armas foram recolhidas amostras de água em sete piezómetros e no parque de combustíveis em dois piezómetros, "a três profundidades", tendo sido analisados "109 parâmetros químicos diferentes".

Segundo o relatório do LNEC, dentro da Porta de Armas, os hidrocarbonetos aromáticos policíclicos registaram "alguma oscilação nas concentrações, embora com tendência para decréscimo na soma dos parâmetros analisados".

O LNEC realça, no entanto, que todos os parâmetros surgem "em concentrações que estão muito abaixo dos valores definidos pelas normas do Canadá ou holandesas, cujos valores são muito menos restritivos".

Já no parque de combustíveis, registou-se ausência de BTEX e de compostos orgânicos voláteis, "invertendo a tendência da campanha anterior onde se havia observado um aumento de alguns BTEX".

Foram registadas ainda concentrações de hidrocarbonetos aromáticos policíclicos "acima dos limiares de qualidade definidos pela Agência Portuguesa do Ambiente", mas "abaixo das normas definidas pelo Canadá e pela Holanda".

Quando aos furos de abastecimento de água, o LNEC adianta que os resultados das amostras pontuais da empresa municipal Praia Ambiente "foram equivalentes aos das duas campanhas de 2017", apresentando "concentrações inferiores aos limites de quantificação em todos os 85 hidrocarbonetos analisados".

Também as análises de amostragens contínuas apresentaram "concentrações em hidrocarbonetos extremamente baixas, da ordem de picogramas por litro".

Com base nos resultados, o LNEC recomenda que continuem a ser monitorizados os dois locais intervencionados e os furos de abastecimento de água, acrescentando que está a desenvolver um novo estudo para o Ministério da Defesa Nacional que poderá indicar a necessidade de equacionar um "novo processo de reabilitação dos locais potencialmente afetados".

"Mantém-se importante o acompanhamento do Estado Português dos processos de monitorização e de reabilitação em curso até que as ações levadas a cabo conduzam à efetiva reabilitação dos locais contaminados", concluiu.

Segundo fonte oficial daquele ministério, o novo estudo do LNEC, que vai analisar 33 locais, deverá estar concluído "no final de 2018".

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