“O que o país precisa é de um novo ciclo. O país não precisa de mais dois anos em que se diz que vamos contratar médicos, mas depois os concursos ficam vazios, de mais dois anos em que se diz que o salário é importante, mas, depois, quem vive com o salário mínimo não consegue alugar uma casa, ou em que toda a gente que tem o salário médio sente o seu salário médio cada vez mais perto do salário mínimo", sustentou.

“Nós não precisamos de mais dois anos de votações do Partido Socialista com a direita, que não resolvem os problemas do país. Precisamos, sim, de um novo ciclo, com um acordo de governação que comece pelo salário, que comece pela saúde, e para isso é preciso o Bloco de Esquerda reforçado como terceira força política em Portugal. É para isso que estamos nesta campanha e a quem vai votar é que decide”, acrescentou.

Catarina Martins falava aos jornalistas em Vendas de Azeitão, concelho e distrito de Setúbal, após um encontro com dezenas de moradores que pagaram as suas casas na íntegra a uma cooperativa de habitação, que, entretanto, entrou em processo de insolvência e deixou uma dívida de 530 mil euros ao Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana (IHRU).

Em novembro do ano passado o Tribunal de Setúbal reconheceu o direito de retenção das casas aos moradores, mas o IHRU recorreu da decisão, pelo que ainda existe a possibilidade de virem a perder as casas que já pagaram na íntegra, devido à dívida da cooperativa ao IHRU.

“Nós hoje estamos aqui em Azeitão, num bairro em que o instituto que deve proteger o direito à habitação das pessoas em Portugal, o IHRU, está a tentar expulsar das suas casas 41 famílias, que pagaram as suas casas, que têm o direito a viver aqui. E o IHRU, porque não quer fazer os processos judiciais que deve fazer contra quem os enganou - numa dívida que não tem nada a ver com os moradores -, quer ficar com casas de pessoas que pagaram as suas casas a vida toda, para pagar uma dívida que não é destes moradores”, disse Catarina Martins.

“A solução mais fácil para o IHRU é expulsar moradores das suas casas”, lamentou a coordenadora do Bloco de Esquerda.

Questionada pelos jornalistas sobre o debate televisivo de quinta-feira entre António Costa e Rui Rio, no âmbito da pré-campanha para as eleições legislativas antecipadas de 30 de janeiro, Catarina Martins defendeu que os líderes do PS e do PSD não apresentaram soluções para os problemas do País.

 “É confrangedor, num debate de dois partidos que dizem que querem ser Governo, não ouvirmos nenhuma solução para os problemas mais graves do país e que as pessoas sentem todos os dias. E [as pessoas] querem respostas, naturalmente”, disse Catarina Martins, considerando que nem Costa nem Rio apresentaram verdadeiras soluções para resolver os problemas do SNS, da melhoria dos salários e do sistema fiscal português, para acabar com as “borlas fiscais” a grandes empresas.

Confrontada com as declarações de Rui Rio, de que seria um risco para o País a presença do BE num eventual Governo liderado por Pedro Nuno Santos, um dos potenciais sucessores de António Costa na liderança do PS, Catarina Martins admitiu que a intervenção política do BE “pode incomodar a direita”, mas afirmou-se convicta de que os portugueses reconhecem o trabalho desenvolvido pelo bloco no Parlamento.

 “Não há ninguém que não saiba em Portugal que, entre 2015 e 2019, o Bloco de Esquerda foi a força que garantiu estabilidade na vida das pessoas, porque garantimos o fim de cortes em salários e em pensões, porque fizemos tudo o que podíamos para acabar com a suborçamentação do Serviço Nacional de Saúde”, disse.

“Temos de continuar esse caminho. Há ainda tanto por fazer. É esse o papel do Bloco de Esquerda no Parlamento, seja na garantia do salário, da pensão, dos serviços públicos fundamentais, mas também no combate intransigente àqueles que roubam o país em milhões, seja das borlas fiscais à EDP, seja da pouca-vergonha do sistema financeiro. Em Portugal também se sabe que o Bloco de Esquerda tem sido a força que combate o abuso, porque protege o país. Isso talvez incomode a direita, mas essa é a natureza do Bloco de Esquerda”, frisou Catarina Martins.

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