No arranque da sessão, o juiz que preside ao coletivo, João Ferreira, explicou que faltava o elemento de prova de quanto é que a Segurança Social pagou à vítima durante os três meses em que não pôde trabalhar devido ao atropelamento, por forma a poder determinar a indemnização por danos patrimoniais.

Face a essa questão, determinou-se o adiamento da leitura do acórdão e a reabertura de audiência (para se debater a matéria relacionada com a Segurança Social) para 12 de novembro, às 14:00, após a qual deverá decorrer a leitura de sentença.

O arguido é acusado pelo Ministério Público de tentativa de homicídio por ter atropelado a ex-companheira, em setembro de 2017, poucos dias depois de a vítima ter terminado uma relação de sete meses com o indivíduo.

O homem já tinha sido anteriormente condenado pelo mesmo crime e pela prática de violência doméstica, em processos que diziam respeito à relação com a sua ex-mulher, com quem teve três filhos, tendo cumprido pena até fevereiro de 2016, altura em que tinha saído em liberdade condicional.

No início do julgamento, o homem confessou ter atropelado a ex-namorada, mas afirmou que naquela manhã já tinha ingerido "algumas bebidas" e que não se tinha apercebido se tinha batido numa pessoa sequer, referindo que "até podia ter sido um caixote do lixo".

O juiz João Ferreira questionou esta versão dos factos: "Por acaso nunca atropelei um caixote do lixo, mas acredito que se atropelasse um caixote do lixo sentia que seria diferente de uma pessoa".

O juiz vincou que a versão que o arguido apresentou hoje em tribunal não "batia certo" com a sua contestação, nem com as declarações no primeiro interrogatório. Face à postura do arguido, o juiz João Ferreira pediu para que fossem ouvidas as declarações prestadas no primeiro interrogatório, onde se ouve o homem a dizer que estava "muito arrependido", após ter sido confrontado com o embate do carro contra o corpo da sua ex-companheira.

A vítima foi projetada 13 metros para a frente, na sequência do embate do veículo, sendo que o arguido abandonou imediatamente o local e pernoitou numa casa em construção, para não ser detetado.