Jaime Soares defendeu ainda, em declarações à agência Lusa, a instauração de “um inquérito rigoroso” para apurar responsabilidades.

O presidente da LBP comentava a notícia avançada hoje pelo Jornal de Notícias de que 70 mil golas antifumo fabricadas com material inflamável e sem tratamento anticarbonização, que custaram 125 mil euros, foram entregues pela proteção civil no âmbito dos programas “Aldeia Segura" e "Pessoas Seguras”.

“Só posso afirmar o meu profundo lamento por uma atitude dessas que é demonstrativa de uma tremenda negligência e irresponsabilidade”, disse Jaime Soares, sustentando: “quando se faz um kit para prevenção e defesa das populações (…) e se entrega um equipamento que pode levar à morte isso é profundamente criticável e inaceitável”.

A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) esclareceu, entretanto, que os materiais distribuídos não são de combate a incêndios nem de proteção individual, mas de sensibilização de boas-práticas.

Para Jaime Marta Soares, este esclarecimento “é muito mau” e defende que “autoridade tem de assumir esse erro” e “pedir desculpa pelo erro”, porque “as pessoas entenderão que ninguém o fez intencionalmente”.

A Proteção Civil disse “que o material era só para sensibilizar, depois alguém informou que foi por uma questão economicista. Bem, se isto é assim é muito, muito, muito mau”, comentou.

Para o presidente da LBP, o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, deve pedir a instalação de um inquérito para apurar “quem foi o responsável” e determinar “um processo disciplinar” para que sirva de “exemplo para o futuro”, porque quem trata destas questões de Proteção Civil “têm de ser pessoas muito credenciadas, muito competentes”.

Segundo o Jornal de Notícias, as golas antifumo, fabricadas em poliéster, “não têm a eficácia que deveriam ter: evitar inalações de fumos através de um efeito de filtro”.

O programa "Aldeia Segura" está a ser implementado desde 2018 em vários municípios e soma, segundo o jornal, 1.507 oficiais de segurança local – a quem compete encaminhar as populações para os locais de abrigo.

Dois oficiais de segurança do distrito de Castelo Branco disseram ao JN que “a gola aquece muito” e “cheira a cola”. Estes oficiais queixaram-se também do colete refletor, também feito em poliéster.

Ao jornal, um representante da Foxtrot Aventura, empresa de Fafe, no distrito de Braga, a quem a ANEPC comprou 15 mil ‘kits’ e 70 mil golas em junho de 2018 disse que considerava tratar-se “merchandising” e que a entidade não referiu que os equipamentos “seriam usados em cenários que envolvem fogo”.

“Se assim fosse, as golas seriam de outro material e com tratamento para suportar esses cenários [de fogo] (…) Juro que achei que isto seria usado em ações de merchandising’, garantiu Ricardo Peixoto ao JN.

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