Francisco Santos, gerente da Empresa de Transportes do Rio Guadiana, que gere a embarcação portuguesa da ligação por “ferry” entre as duas margens junto à foz do rio, explicou à agência Lusa que na base desta interrupção do serviço está uma decisão da embarcação espanhola de deixar de operar devido aos efeitos da pandemia de covid-19, numa altura em que o “ferry” português está no estaleiro para manutenção e renovação de licença caducada para poder voltar a operar.

“Quando uma das embarcações tem de ir ao estaleiro para reparações e para renovação de licença, a outra mantinha o serviço em atividade, mas a empresa espanhola decidiu deixar de operar porque há pouco movimento e não lhe compensa manter o serviço”, afirmou Francisco Santos.

O serviço esteve suspenso entre março e julho, no período em que as fronteiras europeias estiveram encerradas devido à primeira vaga de Covid-19, mas agora nada fazia prever a paragem, comunicada pela empresa espanhola à congénere portuguesa.

“A tradição dos mais de 80 anos” de serviço em parceria apontava para que a embarcação de Ayamonte assegurasse o serviço até a de Vila Real de Santo António ter o a reparação e licenciamento concluídos.

“Eles decidiram parar a sua embarcação a partir de 3 de novembro e o serviço só deverá ser retomado em meados de dezembro”, previu Francisco Santos, perspetivando que, nessa altura, a embarcação portuguesa já tenha o processo de licenciamento concluído.

O representante disse que a empresa portuguesa “tem feito um esforço enorme para, mesmo com a perda de receitas — às vezes só se transportam quatro pessoas -, manter os postos de trabalho” e “não deixar os trabalhadores em dificuldades numa altura de crise”, mas “os espanhóis não têm esse problema porque quem opera a embarcação são os sócios da empresa”.

“A empresa espanhola alega que o movimento já não permite fazer frente aos gastos e vai ter de deixar de operar devido à pandemia”, lamentou Francisco Santos, frisando que a empresa portuguesa “também tem tido perdas de 80%”, mas “tem feito um esforço enorme para manter a atividade”.

Com a paragem da carreira fluvial mais a sul entre Portugal e Espanha, a única ligação entre o Algarve e a Andaluzia ativa é a ponte internacional do Guadiana, que liga Castro Marim, a cerca de cinco quilómetros a norte de Vila Real de Santo António, e Ayamonte.

A Lusa tentou obter esclarecimentos da Empresa de Transporte Fluvial del Guadiana S.L., responsável pela operação da embarcação espanhola, mas sem sucesso.

A intenção de paragem do serviço a partir de 3 de novembro foi, no entanto, anunciada pelo Ayuntamiento de Ayamonte nas redes sociais, onde dá conta de ter sido informado pela empresa de que, perante as circunstâncias provocadas pela pandemia de covid-29, teria de “suspender as ligações” entre as duas cidades fronteiriças “apenas durante um curto período de tempo, enquanto se estabiliza a situação sanitária”.

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