Quatro meses e meio depois da detenção de Luís Filipe Vieira, que levaria à saída do antigo presidente do SL Benfica da liderança do clube da Luz, o futebol português volta a ficar sob um clima de suspeita de corrupção, desta vez com atores ligados ao Futebol Clube do Porto, um dos quais, o empresário Pedro Pinho, acusado na semana passada de ter agredido um jornalista em Moreira de Cónegos.

Esta manhã de segunda-feira, o Ministério Público (MP) e a Polícia de Segurança Pública (PSP) estiveram a fazer buscas à SAD dos Dragões, a dirigentes portistas e a empresários próximos do clube.

O Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) e a Autoridade Tributária, apoiados por elementos da PSP, fizeram também buscas à casa do presidente do FC Porto, Jorge Nuno Pinto da Costa, e às instalações do clube.

A referência a Vieira no início deste texto não foi inocente. Não porque este foi o último grande caso, mais um numa secessão de casos distintos que têm vindo a ser investigados e descobertos desde os anos 90 e que envergonham o futebol português na generalidade, mas sim porque este é um processo autónomo do Cartão Vermelho, no qual no último verão o MP investigou precisamente crimes económicos relacionados com o ex-presidente do Benfica. Na altura, essas diligências incluíram também o filho, Tiago Vieira, e os empresários José Manuel dos Santos e Bruno Macedo.

Neste caso, o MP está a investigar o pagamento de comissões superiores a 20 milhões de euros relacionados com transferências de futebolistas e hoje efetuou 33 buscas, entre as quais na SAD do FC Porto e numa instituição bancária.

Em comunicado, o DCIAP referiu que na investigação estão “factos ocorridos pelo menos desde 2017 até ao presente, com forte dimensão internacional e que envolvem operações de pagamento de comissões de mais de 20 milhões de euros”.

O DCIAP acrescenta que as diligências de hoje “visam investigar a suspeita de prática de crimes de fraude fiscal, burla, abuso de confiança e branqueamento, relacionados com transferências de jogadores de futebol e com circuitos financeiros que envolvem os intermediários nesses negócios”.

Na execução dos 33 mandados de busca realizados em Lisboa e no Porto, que incluíram a SAD (Sociedade Anónima Desportiva) do FC Porto, uma instituição bancária e diversas residências, “participaram 85 elementos da Inspeção Tributária e da PSP, bem como magistrados do MP”.

Ao final da tarde, o FC Porto confirmou as buscas, sublinhando que "colaborou com a equipa de investigadores, cujo trabalho visou a apreensão de documentos que pudessem interessar à investigação".

Confirmado fica também, mais uma vez, o clima de corrupção de que o futebol não se consegue escapar e de que o futebol português não consegue ser exceção.

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