"Não sei se há muitos portugueses a votar Front National mas, como eu, há pessoas que são portuguesas na alma e também francesas e querem defender a bandeira francesa. A França perdeu muitos valores", explicou, em português, a candidata a deputada que nasceu na freguesia de Tourém, no concelho de Montalegre, há 50 anos.

A franco-portuguesa chegou a França em 1970, com três anos, e adquiriu a nacionalidade francesa em 1988, tendo sempre falado português em casa dos pais e tendo chegado a integrar uma associação portuguesa de Pau, no sudoeste do país, uma cidade dirigida por François Bayrou que foi nomeado ministro da Justiça.

Insistindo sentir-se "portuguesa na alma", a candidata que entrou na FN em 2012 esboçou um retrato de França como "um país que fez vir muitos estrangeiros e deu a possibilidade a todos de ter uma vida melhor", incluindo aos seus pais, mas considera que se chegou a uma rutura.

"Agora, a França não pode receber tanta pessoa estrangeira porque não há trabalho. A França perdeu na economia, perdeu muito trabalho, muitas fábricas foram para países onde se trabalha a preço bem baixo. Antes havia trabalho para toda a gente, havia respeito. Hoje não há nada disso, a França perdeu muito valor. É preciso uma França que encontre os valores que tinha antes", argumentou a educadora de infância.

Lucinda Carvalho, que se candidata pela segunda vez a um lugar de deputada, considerou que durante a vaga migratória de portugueses para França, nos anos 60 e 70, "havia trabalho, havia respeito" e que "não havia, como agora, pessoas que vêm de outros países e que querem obrigar a comer diferente" ou a "ensinar línguas estrangeiras que não interessam nas escolas".

"Nós temos todos a mesma religião e temos uma maneira de respeitar as pessoas. Há pessoas que vêm de outros sítios que não têm nada a ver connosco e querem impor-nos a cultura delas. Eu não sou racista porque sou de origem portuguesa, mas há pessoas que vêm para a França e não a respeitam como nós - os portugueses ou os espanhóis - a respeitámos", considerou.

A luso-francesa defendeu, ainda, que o partido de extrema-direita "não é fascista porque defende os valores do país, a economia, o trabalho, as pessoas que vivem em França", acreditando que os que defendem a FN "são pessoas respeitadoras e com valores".

A candidata na terceira circunscrição do distrito Pyrinées-Atlantiques tem 13 adversários e acredita que "ir à segunda volta é possível" porque alega que a FN teve "bons resultados" na sua região durante as presidenciais.

Na reta final para as legislativas, Lucinda Carvalho promete intensificar a campanha, nomeadamente junto dos "muitos portugueses" da sua região, seja em associações, em feiras onde distribui panfletos ou em reuniões públicas, afirmando que "ficava contente se os portugueses" votassem nela.

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