O autarca socialista afirmou à Lusa que “este ano letivo, em setembro, ainda não haverá condições para o fazer, mas a partir de 2019 é possível” e que o “a responsabilidade do transporte será da Câmara de Bragança, concelho vizinho onde se localizada a vila Izeda.

Contactado pela Lusa, o presidente da Câmara de Bragança, Hernâni Dias, disse ter sido “surpreendido” pela notícia de Macedo de Cavaleiros.

“Não fui contactado, não sei de nada e não posso falar de uma coisa que desconheço”, afirmou.

Bragança não tece mais comentários sobre o assunto que já chegou a ser abordado anteriormente com outros protagonistas autárquicos, mas que nunca teve consequências práticas.

Já o presidente da Câmara de Macedo de Cavaleiros, Benjamim Rodrigues, tem tudo planeado e indicou que a proposta resulta do “interesse manifestado por responsáveis locais de Izeda com alguns pais que residem na zona nascente do concelho” a que preside.

O autarca aponta os benefícios da medida, desde logo para as crianças de várias aldeias do concelho que “têm que se levantar muito cedo” para irem à escola a Macedo de Cavaleiros, em viagem que demoram, para cada lado, “cerca de uma hora e um quarto, uma hora e meia”.

“No período de inverno, é uma coisa terrível porque chegamos a ter temperaturas negativas de cinco, sete graus e as crianças têm de estar à espera do autocarro nas paragens sem qualquer proteção”, observou.

O autarca entende que “isto é violento também porque as obriga a levantar-se muito cedo”.

“Saem de noite de casa e chegam à noite com pouco tempo para conviver com a família e até refletindo-se no seu rendimento escolar”, sustentou.

Benjamim Rodrigues estima que serão “dez, 12” alunos das freguesias da zona nascente do concelho de Macedo de Cavaleiros que “distam da escola de Izeda, em Bragança, cerca de oito quilómetros, pouco mais de cinco, dez minutos”.

A medida, frisou, “não compromete” nenhuma família “porque não é obrigatória, só quem tiver interesse em aderir, o fará”, ou seja só iriam para Izeda os alunos que quisessem.

“Macedo dá o privilégio às famílias, alunos e à própria escola para entrarem num acordo e dessa forma proporcionar condições e conforto às crianças”, afirmou, ressalvando que esta transferência de alunos não afetará a população estudantil de Macedo de Cavaleiros.

No próximo ano letivo, o número de estudantes até poderá aumentar com o fecho do colégio privado da Torre D. Chama, no outro concelho vizinho de Mirandela, e que era frequentado por alguns alunos de Macedo de Cavaleiros, que irão regressar ao concelho de origem.

A possibilidade de os alunos de algumas aldeias de Macedo de Cavaleiros irem para Izeda é para o presidente do município uma medida “solidária com um concelho vizinho, particularmente com uma freguesia que enferma de uma série de problemas, nomeadamente com a perda de população”.

“Se deixarem de ter alunos, a escola encerrará e estaremos a contribuir para o definhar de uma freguesia que foi já com grande progresso”, considerou.

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