Em declarações à agência Lusa após uma ação de rua em Machico, Fernanda Calaça destacou o problema da pesca como um dos mais preocupantes do concelho.

“Os pescadores estão numa situação de desgaste porque os outros barcos vêm ‘rapinar’ o nosso peixe e vender aqui e não há ninguém que ponha cobro a isso. Os nossos barcos não podem ir pescar em águas internacionais, porque os barcos são apreendidos e depois vêm os espanhóis, franceses e japoneses pescar nas nossas águas”, disse.

De acordo com a candidata, as quotas impostas pela União Europeia são “uma miséria” e “ninguém bate o pé”.

“Os nossos pescadores têm de ser como a formiguinha: apanhar no verão para comer no inverno. Por isso, o PCTP/MRPP vai combater junto da União Europeia as quotas porque não trazem benefício para ninguém”, disse.

O PCTP/MRPP sugere também uma modernização dos barcos para que fiquem dotados de todas as valências para poderem pescar em águas internacionais com licenças e bem apetrechados.

“Os barcos mais pequenos de pesca lúdica vão ao mar para sustentar a família e não lhes dão licenças. Dizem que a pesca lúdica é um desporto, mas aqui muita gente faz da pesca lúdica o seu sustento”, realçou.

Por isso, Fernanda Calaça defende a existência de licenças para a pesca lúdica tal como existem para a pesca profissional, para que os pescadores possam descarregar peixe em lota e ter as suas contribuições como qualquer outra embarcação.

“Há muita gente que pensa que os pescadores da pesca lúdica não querem ir para a profissional para fugir aos impostos, mas isso não é verdade”, disse.

Fernanda Calaça destacou também à Lusa que o partido está preocupado com a pobreza, a miséria e o desemprego na Madeira.

“Há muita gente a receber pensões de miséria, sem dinheiro para a alimentação e medicamentos. Existe também muito desemprego com as famílias a não conseguir alimentar os seus filhos, nem para lhes dar educação”, contou.

A candidata defendeu também uma maior autonomia para a Madeira e “o não pagamento da dívida dos cinco mil milhões que a região deve”, com o investimento desse dinheiro “na saúde, na pobreza, na forma do desemprego, construindo fábricas não poluentes, de conservas, de vestuário, de altas tecnologias, para os universitários”.

Nas ações de contacto com a população, a cabeça da lista do PCTP/MRPP tem dado a conhecer o seu manifesto para que no domingo as pessoas possam votar em consciência.

As eleições regionais legislativas da Madeira decorrem no domingo, com 16 partidos e uma coligação a disputar os 47 lugares no parlamento regional.

PDR, CHEGA, PNR, BE, PS, PAN, Aliança, Partido da Terra-MPT, PCTP/MRPP, PPD/PSD, Iniciativa Liberal, PTP, PURP, CDS-PP, CDU (PCP/PEV), JPP e RIR são as 17 candidaturas validadas para estas eleições, com um círculo único.

Nas regionais de 2015, os sociais-democratas seguraram a maioria absoluta – com que sempre governaram a Madeira - por um deputado, com 24 dos 47 parlamentares.

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