De acordo com as descobertas apresentadas no encontro anual da American Society of Tropical Medicine and Hygiene, os cães treinados para farejar parasitas da malária acusaram a presença da doença transmitida por mosquitos apenas ao cheirar as meias de crianças africanas que acusaram positivo no exame posterior, embora não apresentassem febre ou outros sintomas externos.

A malária mata cerca 445.000 pessoas anualmente em todo o mundo e é causada por parasitas que são transmitidos por mosquitos infectados.

Os casos de malária estão em ascensão em todo o mundo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) comunicou que houve 216 milhões de casos de malária em 2016, um aumento de cinco milhões em relação ao ano anterior.

"É preocupante, o nosso progresso no controlo da malária estagnou nos últimos anos, por isso precisamos desesperadamente de novas ferramentas inovadoras para ajudar na luta contra esta doença", afirmou o coautor do estudo, James Logan, do chefe do departamento do controlo de doenças da London School of Hygiene and Tropical Medicine.

"Os nossos resultados mostram que os cães treinados para farejar podem ser uma forma séria de diagnosticar pessoas que não apresentam nenhum sintoma ainda, mas são infecciosas, de forma mais rápida e mais fácil", explicou.

No total, 175 meias foram testadas, incluindo 30 de crianças portadoras de malária na Gâmbia e 145 de crianças não infectadas.

Os cães conseguiram identificar corretamente 70% das amostras infectadas com malária e também foram capazes de detetar 90% das amostras sem parasitas da malária.

O investigador-chefe, Steve Lindsay, professor do departamento de biociências da Universidade de Durham, disse que isto mostra um "grau de precisão crível".

São necessárias mais e maiores investigações, mas os especialistas estão esperançosos de que as descobertas possam levar a uma "maneira não invasiva de rastreio da doença nos portos de entrada de forma semelhante a como cães polícia são rotineiramente usados para detectar frutas, vegetais ou drogas em aeroportos", acrescentou.

"Isto poderá ajudar a prevenir a propagação da malária em países que foram declarados livres da doença e também garantir que pessoas que não sabem que estão infectadas com o parasita da malária recebam tratamento para a doença", disse ainda.

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