"A sua atuação durante este tempo crítico foi exemplar. Tão exemplar que foi reconhecida cá dentro e lá fora, em inúmeros países, pois eu recebo os telegramas diplomáticos", disse Marcelo Rebelo de Sousa, dirigindo-se a Rui Rio, líder do PSD.

Em causa, disse, esteve a capacidade de este "colocar o interesse nacional acima do interesse partidário. E fê-lo dizendo-o abertamente, e isso é muito importante porque quem é oposição não deixa de ser oposição e alternativa ao governo".

"Num período crítico, em que os portugueses estavam unidos e que precisavam de ver os seus responsáveis unidos, olharem para o líder da oposição a ter um sentido de Estado que o levava a estar ali, onde tinha de estar, ao lado dos portugueses e de outros responsáveis políticos, isso deu uma força ao país que não se imagina", disse Marcelo Rebelo de Sousa.

Dirigindo a Rui Rio uma agradecimento em nome de todos os portugueses, o Presidente da República disse que "é verdade que o governo foi muito louvado, mas o líder da oposição foi também muito louvado".

"Ser líder da oposição é mais difícil que ser primeiro-ministro. (...) Em nome de todos os portugueses, o que o Presidente está a dizer em relação ao líder da oposição — e por natureza candidato a primeiro-ministro — é os portugueses não se esquecerão, da mesma forma que não se esquecerão desta epidemia", acrescentou.

O elogio a Rui Rio surge depois de Marcelo ter elogiado a postura do primeiro-ministro, António Costa, durante uma visita à Autoeuropa, pela forma como este respondeu no parlamento sobre a polémica em torno da injeção de 850 milhões de euros no Novo Banco — autorizada pelo ministério das Finanças, mas que Costa desconhecia — antes de serem conhecidos os resultados de uma auditoria à instituição bancária.

À data, em visita à Autoeuropa, na companhia de António Costa, Marcelo Rebelo de Sousa disse que "o senhor primeiro-ministro esteve muito bem no Parlamento quando disse que fazia sentido que o Estado cumprisse as suas responsabilidades, mas naturalmente se conhecesse a conclusão da auditoria" ao Novo Banco.

A polémica — que chegou mesmo a colocar em causa a continuidade de Mário Centeno à frente do Ministério das Finanças e que foi justificada como uma "falha de comunicação" entre São Bento, o Terreiro do Paço e depois Belém — ficou sanada do ponto de vista político, mas as declarações de Marcelo foram percepcionadas como uma defesa ao primeiro-ministro e um "tirar de tapete" a Mário Centeno.

E se Costa na Autoeuropa quase dava como certa uma recandidatura de Marcelo à Presidência e até a sua vitória nesse cenário (tema que também espoletou polémica e levou Ana Gomes a dizer que estaria disponível para pensar numa candidatura), hoje Rui Rio foi mais conservador ao tomar a palavra em Ovar.

O presidente do PSD afirmou que os sociais-democratas "a seu tempo" tomarão uma posição sobre as presidenciais, argumentando que Marcelo Rebelo de Sousa "ainda não se disponibilizou totalmente" para uma recandidatura.

Questionado sobre as eleições presidenciais de 2021, Rui Rio começou por responder: "Eu não vou falar disso aqui no campo de aviação. E o PSD ainda não abordou a questão das presidenciais".

"No caso concreto, e agora não do Presidente da República, mas o senhor professor Marcelo Rebelo de Sousa publicamente também ainda não se disponibilizou totalmente para a candidatura. Portanto, a seu tempo o PSD obviamente vai abordar e vai ter uma posição relativamente às presidenciais", acrescentou.

Interrogado se não teme que o PSD venha a declarar apoio ao seu antigo líder Marcelo Rebelo de Sousa demasiado tarde, Rui Rio retorquiu: "Uma das coisas que a vida nos ensina é a gestão do tempo. E uma coisa com que eu tenho sempre muito cuidado é na gestão do tempo".

Hoje, o presidente do PSD escusou-se a comentar as palavras do primeiro-ministro e secretário-geral do PS na Autoeuropa: "Fez aquilo que entendeu que devia fazer e não tenho de apreciar, de fazer qualquer espécie de apreciação".

O presidente do PSD, Rui Rio, assumiu ainda que “qualquer pessoa gosta que haja um entendimento institucional”, numa referência ao que foi apelidado de “combinação harmoniosa entre o primeiro-ministro (PS) e o Presidente da República (PR).

“Sim. Acho que qualquer pessoa gosta que, em termos de país, haja um entendimento institucional, dentro das diferenças que todos nós temos. Seja PR/Governo/Assembleia da República ou principais partidos políticos”, disse Rui Rio em Ovar, distrito de Aveiro, na companhia do Presidente da República, quando questionado pelos jornalistas se gostaria que dissessem de si que “combina harmoniosamente” com Marcelo Rebelo de Sousa.

No entanto, o presidente do PSD rejeitou que fizesse sentido a presença de António Costa no repasto de hoje com Marcelo.

“São coisas diferentes. Estou aqui para almoçar e prestar homenagem ao concelho com o Presidente da República. À tarde é o Governo que vem ao concelho mais massacrado e bem”, observou Rio.

“Agora, não nos vamos misturar. Nem eu sou membro do Governo nem António Costa é do PSD”, alertou.

Entretanto, o socialista e ministro dos Negócios Estrangeiros Augusto Santos Silva disse numa entrevista que as personalidades de Marcelo e Costa “combinam harmoniosamente” e que o país ganharia se a relação continuasse.

(Notícia atualizada às 14:59)

 

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