"No campo literário, ela fez tudo. Fez romance excecional, fez biografia, fez teatro, fez crónica, fez tudo. Aquilo que fica em termos de génio é ter sabido retratar, por dentro essa mudança de Portugal, que não era apenas falar de como as pessoas eram, era falar de como a natureza humana é sempre", disse Marcelo Rebelo de Sousa.

O Presidente da República falava aos jornalistas à saída da Sé Catedral do Porto onde assistiu, esta tarde, às cerimónias fúnebres de homenagem a Agustina Bessa-Luís, cujo corpo seguiu para o cemitério de Peso da Régua onde decorrerá o funeral, numa cerimónia reservada à família da escritora.

Questionado sobre se deseja ver Agustina Bessa-Luís no Panteão Nacional, Marcelo Rebelo de Sousa disse que esta é "uma decisão que depende da família, dos deputados" e perguntou: "Como é que Agustina gostaria que fosse?".

"Neste momento estamos a prestar-lhe homenagem, e ela está no Panteão do coração de todos os portugueses", afirmou.

Marcelo Rebelo de Sousa, que chegou à Sé Catedral cerca das 15:30 e assistiu à missa de corpo presente junto da ministra da Cultura, Graça Fonseca, e do presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, entre outros governantes e políticos portugueses, disse que Agustina Bessa-Luís "ficará para sempre na cultura portuguesa", como "fica na alma daqueles que a leram, daqueles que partilharam a forma como ela fez o retrato de Portugal".

O Presidente da República enumerou as ligações de Agustina Bessa-Luís ao Porto e ao Norte, somou as raízes ao Douro e também "um bocadinho ao Minho", para destacar o "retrato de 100 anos de Portugal" feito pela escritora, um retrato que versou nos séculos XIX e XX e mostrava "como é que um Portugal acabava e como outro Portugal começava", acrescentou.

"E ao fazer o retrato de famílias, e porventura o retrato da sua família, foi fazendo o retrato da mudança de Portugal. Isso diz muito a todos nós, porque era um Portugal rural, um Portugal que se foi convertendo num Portugal urbano e metropolitano. Ela foi pintando isso através das suas personagens e nós revemo-nos nisso, sobretudo os mais velhos, mas também os mais novos", disse Marcelo Rebelo de Sousa que revelou ter conhecido Agustina Bessa-Luís, "mas não com intimidade", e que os seus livres preferidos da escritora são "Fanny Owen" e "A Sibila".

Agustina Bessa-Luís, que morreu na segunda-feira, no Porto, aos 96 anos, nasceu em 15 de outubro de 1922, em Vila Meã, Amarante.

O nome da escritora, que se estreou nas Letras com o romance "Mundo Fechado", em 1948, destacou-se em 1954, com a publicação de "A Sibila", obra que lhe valeu os prémios Delfim Guimarães e Eça de Queiroz.

Agustina recebeu também, por duas vezes, o Grande Prémio de Romance e Novela, da Associação Portuguesa de Escritores, a primeira, em 1983, pela obra "Os Meninos de Ouro", e, depois, em 2001, por "O Princípio da Incerteza I - Joia de Família".

A escritora foi distinguida pela totalidade da sua obra com o Prémio Adelaide Ristori, do Centro Cultural Italiano de Roma, em 1975, e com o Prémio Eduardo Lourenço, em 2015.

Em 2004 recebeu o Prémio Camões e o Prémio Vergílio Ferreira.

(Notícia atualizada às 18h45)

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