"Mário Soares foi um político excecional, pela sua maneira de ser, pela sua coragem, pela capacidade de lucidez com que interpretava as situações políticas", disse Rui Machete, em declarações aos jornalistas à saída do Mosteiro dos Jerónimos, onde o corpo de Mário Soares está desde o início da tarde em câmara ardente.

Rui Machete, que exerceu o cargo de vice-primeiro-ministro no Governo de coligação pós eleitoral PS-PSD liderado por Mário Soares em 1985, recordou ainda o antigo Presidente da República como um chefe do executivo "imparcial".

"Procurou que a coligação funcionasse e funcionou, não se sentia que houvesse divisões entre PS e PSD", lembrou, sublinhando que "as coisas funcionaram tão bem" que grande parte dos ministros que compunham o Governo e eram do PS ficaram seus amigos.

"Mário Soares foi um dos grande políticos portugueses e a sua morte representa um ciclo que termina", acrescentou, reconhecendo que divergiram em algumas coisas, mas do ponto de vista pessoal existiu sempre admiração.

O deputado do partido ecologista Os Verdes José Luís Ferreira caracterizou também Mário Soares como "uma figura que ficará indiscutivelmente ligada à história" de Portugal.

José Luís Ferreira recordou também "o papel de lutador antifascista" do antigo Presidente da República, que exerceu não só como cidadão, mas também como advogado de presos políticos.

Entre as centenas de pessoas que ao longo da tarde passaram pelo Mosteiro dos Jerónimos estiveram também o ex-Procurador-Geral da República Pinto Monteiro, os ex-ministros Marçal Grilo, Nobre Guedes e Leonor Beleza, o ex-eurodeputado Rui Tavares, o antigo secretário-geral do PCP Carlos Carvalhas e socialista Vera Jardim.

A ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, o historiador Pacheco Pereira, o humorista Ricardo Araújo, os atores Vítor de Sousa e Lurdes Norberto, o fadista Carlos do Carmo e o jornalista Vicente Jorge Silva passaram igualmente pelo Mosteiro dos Jerónimos durante a tarde.

Mário Soares morreu no sábado, aos 92 anos, no Hospital da Cruz Vermelha, em Lisboa.

O Governo português decretou três dias de luto nacional, até quarta-feira.

O corpo do antigo Presidente da República está em câmara ardente no Mosteiro dos Jerónimos desde as 13:10 de hoje, depois de ter sido saudado por milhares de pessoas à passagem do cortejo fúnebre pelas principais ruas da capital  com escolta a cavalo da GNR.

O  funeral realiza-se na terça-feira,  pelas 15:30, no Cemitério dos Prazeres, em Lisboa, após passagem do cortejo fúnebre pelo Palácio de Belém, Assembleia da República, Fundação Mário Soares e sede do PS, no Largo do Rato.

Nascido a 7 de dezembro de 1924, em Lisboa, Mário Alberto Nobre Lopes Soares, advogado, combateu a ditadura do Estado Novo e foi fundador e primeiro líder do PS.

Após a revolução do 25 de Abril de 1974, regressou do exílio em França e foi ministro dos Negócios Estrangeiros e primeiro-ministro entre 1976 e 1978 e entre 1983 e 1985, tendo pedido a adesão de Portugal à então Comunidade Económica Europeia (CEE), em 1977, e assinado o respetivo tratado, em 1985.

Em 1986, ganhou as eleições presidenciais e foi Presidente da República durante dois mandatos, até 1996.

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